‘Clone’ do antigo Jeep rende processo contra a Mahindra

Marca indiana teria plagiado o design do icônico jipe desenvolvido nos Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial

Por AutoPapo 16/06/20 às 09h42

Fora do mercado brasileiro há anos, a indiana Mahindra segue vendendo veículos em vários outros países. Mas não vem tendo vida fácil nos Estados Unidos, onde acaba de perder uma batalha judicial. O motivo do litígio, que já dura alguns anos, é o modelo Roxor: o Grupo FCA (Fiat Chrysler Automobiles) alega que ele é uma cópia dos clássicos modelos Jeep CJ.

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Em novembro de 2019, um juiz já havia expedido uma determinação favorável à FCA, impedindo as vendas do Mahindra Roxor em seis regiões dos Estados Unidos. Agora, a Comissão de Comércio Internacional do país emitiu uma decisão semelhante, na qual consta uma ordem judicial de exclusão do produto. A decisão, porém, ainda precisa ser ratificada pelo governo local, o que deve ocorrer em até 60 dias.

mahindra roxor vermelho frente jipe
Parece um jipe Willys, mas é um Mahindra Roxor

A Comissão entendeu que o Roxor é realmente muito parecido com os antigos modelos CJ da Jeep. A FCA mencionou que o modelo é semelhante à linha CJ até na grade dianteira com aberturas verticais. A diferença é que, nos veículos da Jeep, esse componente tem sete orifícios, enquanto no utilitário indiano são apenas quatro.

A Mahindra já providenciou mudanças frontais para a linha 2020 do Roxor, que incluem uma grade com diferente trama de fendas. Porém, não parece ser o suficiente para afastar o modelo do Jeep CJ: afinal, há vários outros componentes semelhantes entre eles, como faróis, capô e para-lamas dianteiros e traseiros.

Briga por mercado estadunidense

Em sua defesa, a Mahindra afirma que vários componentes do Roxor, entre os quais o motor turbodiesel, a transmissão e componentes do chassi, não têm qualquer relação com o Jeep CJ. A empresa argumenta ainda que o modelo atua em um nicho de mercado, de modo que as vendas da FCA não seriam afetadas por ele. Por isso, salienta que seguirá vendendo-o nos Estados Unidos.

mahindra roxor 2020 frente verde jipe
Linha 2020 do Mahindra Roxor foi reestilizada para ficar visualmente mais distinta

Atualmente, as unidades do Roxor comercializadas na América do Norte são montadas no estado de Michigan. As peças, porém, são importadas da Índia. O objetivo do fabricante é tentar abocanhar pare do mercado estadunidense, que é o maior consumidor de veículos off-road do planeta. Em 2018, o país respondeu pela compra de aproximadamente 60% de todos os automóveis 4×4 produzidos mundialmente.

Do Willys à Mahindra

É interessante lembrar que o primeiro carro produzido pela Mahindra, em 1947, era, literalmente, o modelo CJ2. A empresa obteve os direitos de produção junto à Willys, que o fabricava nos Estados Unidos. Portanto, as semelhanças presentes Roxor não ocorreram devido a meras coincidências… De lá para cá, a fabricante indiana desenvolveu SUVs e picapes próprios, mas sempre apostou no segmento off-road.

A própria Willys chegou a produzir veículos no Brasil, entre os quais o clássico Jeep. Porém, mundialmente, a marca foi absorvida pela AMC (American Motors Corporation) que, por sua vez, acabou sendo adquirida pela Chrysler. Ao longo desse período, o prestígio do modelo cresceu tanto que Jeep se tornou marca autônoma: é, aliás, uma das mais importantes comercialmente para o Grupo FCA.

No Brasil, a Willys foi parar nas mãos da Ford, que continuou fabricando o jipe por mais alguns anos. Assista ao vídeo com a história do modelo!

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Fotos Mahindra | Divulgação

8 Comentários
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    Eduardo 16 de junho de 2020

    Tive um CJ 1957. Vazava óleo, estabilidade zero, chovia mais dentro que fora, meia-volta de folga na direção, apagava faróis quando queria e bebia loucamente. Compraria um novo copiado pela Mahindra, tecnologicamente avançado, só para conferir.

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    LARZ 16 de junho de 2020

    E a linha 2020 parece com Toyota Bandeirante!

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    Sidney costa alvarenga 16 de junho de 2020

    2 coisas
    O jeep é bem bonito

    O palmeiras não tem mundial.

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    claudio motta 16 de junho de 2020

    Se esse modelo de JIPE-ainda é vendido;
    Porque o consórcio que se diz dono da marca,não fabrica e vende??????????????
    Não querem que outros o fabriquem,porque ???
    Preferem usar o nome JEEP (general purpose) e vender um veículo comum,fantasiado de renegado…igual a qualquer SUV

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      Prestes 16 de junho de 2020

      Não se diz dono, é dono

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    Lacrácio 16 de junho de 2020

    Escreveu “estadunidense” já sei que é lacrador…

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      Candido 17 de junho de 2020

      Pensei a mesma coisa kkkkkk

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    Julio 16 de junho de 2020

    Qual o problema de imitar um modelo de 70 anos atrás? Já não perdeu a patente?

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