[Vídeo] ‘In bocca al lupo’: corri na Itália com um lendário campeão

"Stirling Moss, que faleceu no ano passado, sempre participava com a sua famosa Mercedes 722. Aliás, o número foi o horário da largada dele em 1955"

Por Boris Feldman 16/06/21 às 18h00
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Stirling Moss ao volante do lendário Mercedes 722, na Mille Miglia de 1955 (Foto: Reprodução)

Eu não entendia porque tanto os italianos gritavam “In Bocca al Lupo!” quando eu passava por cidadezinhas italianas, em 1999, durante a Mille Miglia Storica. Não fazia nem ideia do que eles queriam dizer. Assista ao vídeo e entenda:

A ‘mil milhas’ foi a mais famosa corrida de rua do mundo, disputada de1927 a 1957 em estradas italianas. Saía de Brescia, no norte do país, descia até Roma e voltava a Brescia, em um percurso de 1600 km, ou mil milhas, de asfalto.

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O tempo recorde da prova foi em 1955, estabelecido pelo famoso inglês Stirling Moss, tendo seu conterrâneo, o jornalista Denis Jenkinson, como copiloto na icônica Mercedes 300 SLR, em 1955: 10h07min48seg. Faça as contas: a média é de cerca de 157 km/h, há 66 anos.

Recorde que jamais será batido, pois a última das 24 edições da prova foi dois anos depois, em 1957. Última, pois começaram a ocorrer acidentes fatais, inevitáveis numa corrida em estrada.

Porém, 20 depois, em 1977, a prova voltou como Mille Miglia Storica: um rali de regularidade. Ou seja, vence quem cumprir médias horárias mais próximas às estabelecidas em cada trecho, mas nunca superiores às máximas permitidas nas rodovias. Só podem se inscrever carros habilitados na época, a participar da prova original de velocidade.

De Mercedes na Mille Miglia Storica

Eu senti as emoções da Mille Miglia Storica em 1999, pois a Mercedes às vezes convidava uma dupla de jornalistas para participar em alguns dos carros do seu museu. E, nesse ano, dois brasileiros: lá fomos, Roberto Nasser, que nos deixou há dois anos e meio, e eu, para assumir o volante de um Mercedes sedã 180 D de 1955, vencedor da corrida naquele ano em sua categoria.

E daí que Nasser e eu, cansados de ouvir o pessoal ruas gritando “In Bocca al Lupo!”, descobrimos: em italiano significa “na boca do lobo”, mas é uma expressão para desejar boa sorte aos participantes.

Não é mais uma corrida, mas é fascinante e indescritível a emoção de atravessar a Itália em estradinhas secundárias, apinhadas de gente de todo lado, com bandeirolas, em todos os trechos.

Passamos dentro de centros históricos proibidos hoje para automóveis, como Siena, por exemplo. Em algumas maiores, como Viareggio, dois batedores abrindo caminho para gente com suas motos. E o povo gritando “In Bocca al Lupo!” e cenas indescritíveis.

Atrás de Stirling Moss

Stirling Moss, que faleceu no ano passado, sempre participava com a sua famosa Mercedes 722. Aliás, o número foi o horário da largada dele em 1955: às 07h22. E ele estava logo a frente do nosso carro, em 1999, quando chegamos ao centro de uma cidade e o trânsito se congestionou.

Pois acreditem se quiserem: a sua Mercedes 722, com motor em linha de oito cilindros e 340cv, era um carro de corrida e tinha uma embreagem muito sensível. Para enfrentar o para-e-anda na fila, Mr. Moss e sua mulher, sua copiloto, ambos com quase 70 anos de idade, desciam do carro e o empurravam para evitar o desgaste da embreagem, tamanho carinho que ele tinha pelo automóvel.

Este ano, na primeira edição da prova depois da morte do Stirling Moss, que foi em abril do ano passado, a Mercedes presta homenagem a um dos maiores pilotos de todos os tempos expondo a Mercedes 722, na cidade de Brescia, até a largada. E, depois, em alguns locais estratégicos do roteiro.

Neste ano são 375 automóveis inscritos na 39ª edição da Mille Miglia Storica, de 16 a 19 de junho. “In Bocca Al Lupo!”

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