[Impressões] JAC E-J7: sedã ‘feito’ com VW eleva patamar da marca

Modelo importado se destaca pelo bom desempenho e estilo atraente; marca o coloca como opção aos sedãs da BMW, Audi e Mercedes

jac e j7 65
Trações da carroceria seguem o estilo cupê de quatro portas (Fotos: JAC | Divulgação)
Por AutoPapo
22 de janeiro de 2022 11:03
Vitor Matsubara, especial para o AutoPapo

Chamar o ‘trio de ferro’ das marcas de luxo alemãs não é novidade na indústria automotiva. Basta lembrar das propagandas da Hyundai colocando o i30 para brigar com o BMW 118i. Foi por um caminho semelhante que a JAC decidiu seguir ao lançar o E-J7.

O modelo é o primeiro sedã elétrico vendido pela marca no país e não possui concorrentes em sua categoria. Essa é uma tendência de mais um segmento que acabou ofuscado pelo sucesso dos SUVs, e que tende a ver as novidades minguarem cada vez mais.

VEJA TAMBÉM:

No Brasil, aliás, apenas o Porsche Taycan se enquadra nas mesmas características (tipo de carroceria e propulsão) do E-J7, embora seja um superesportivo muito mais caro, sofisticado e, claro, veloz.

Quase um alemão?

Talvez pela falta de rivais diretos é que a JAC está mirando em Audi, BMW e Mercedes-Benz, fazendo com que o E-J7 seja classificado (pela fabricante chinesa) como um concorrente direto das versões de entrada de A4, Série 3 e Classe C.

Se for pelo preço, faz sentido porque o chinês custa bem menos. Trazido para cá em versão única, ele sai por R$ 264.900, uma diferença de respeitáveis R$ 32 mil para o 320i GP.

O sedã asiático é movido por um motor elétrico de 193 cv e 34,7 kgfm, que o faz ir de 0 a 100 km/h em 5,9 segundos. O melhor dos sedãs alemães nesta prova é o 320i, que realiza a tarefa em 7 segundos embalado pelo motor 2.0 turbo de 184 cv.

A superioridade do JAC nas acelerações foi evidenciada pela fabricante chinesa em uma pequena pista de arrancada montada no Haras Tuiuti, no interior de São Paulo, onde o E-J7 superou os alemães sem dificuldades.

Entretanto, chamou atenção o comportamento instável do E-J7 nas acelerações. Em linha reta, o motorista precisa segurar firme o volante mesmo antes de chegar aos 100 km/h, já que a dianteira aparentemente leve demais faz com que o carro vá de forma assustadora de um lado para o outro.

A direção leve demais também não transmite tanta confiança ao condutor, especialmente aqueles acostumados com a calibragem muito mais pesada dos alemães. Nas curvas, o E-J7 demonstrou mais segurança, mas ainda está longe do comportamento dos alemães.

Se o E-J7 vence na prova de 0 a 100, o modelo chinês perde feio na velocidade máxima. Ele chega aos 150 km/h, sob a justificativa de “poupar a carga das baterias”. Entre os alemães, o mais rápido é o A4 TFSI, que chega aos 240 km/h, seguido de perto pelo 320i (235 km/h) e C180, que acelera até os 223 km/h.

Já a autonomia declarada pela JAC é de 402 km, de acordo com o ciclo chinês. É importante ressaltar que esse padrão é diferente do adotado por outras fabricantes na Europa e nos Estados Unidos.

Segundo a marca, são necessárias seis horas para realizar uma recarga completa em um carregador do tipo AC. Caso a parada seja feita em um carregador rápido do tipo DC, a fabricante promete 80% da carga em apenas 30 minutos de uso.

Estilo atraente feito com a VW

O design também pode atrair alguns clientes para as lojas da JAC. O E-J7 é o segundo projeto desenvolvido após a aquisição da marca chinesa pela Volkswagen – o primeiro foi o E-JS1, hoje o carro elétrico mais barato do Brasil.

Desenhado na Itália “sob supervisão da VW”, o carro agrada pelo estilo esportivo. A carroceria reproduz a receita dos cupês de quatro portas, com direito a teto com curvatura bem suave e tampa do porta-malas inteiriça no melhor estilo “fastback” de ser.

Interessante notar também que a JAC, enfim, encontrou uma identidade visual. O E-J7 traz elementos de estilo que remetem aos modelos mais recentes da empresa. Se você quer chamar atenção nas ruas, o sedã vai cumprir essa missão com louvor.

Por dentro, o E-J7 também é bom de se ver. O acabamento combina materiais de bom gosto e até os plásticos transmitem uma maior sensação de qualidade, como no aplique em preto brilhante combinando com um bonito detalhe em vermelho nas portas. Os bancos dianteiros são inteiriços e ‘abraçam’ bem os passageiros.

Além do painel digital de 10,25 polegadas, o sedã tem uma nada discreta tela vertical de 13 polegadas. Por meio dela o usuário pode regular a temperatura e velocidade do ar-condicionado e acessar as funções mais importantes do veículo, assim como consultar as informações sobre o veículo.

A lista de itens de série ainda traz equipamentos como 6 airbags, controles de estabilidade e de tração, assistente de partida em rampas, câmera de ré, ar-condicionado digital, sensores de estacionamento dianteiros e traseiros, destravamento das portas sem chave, partida do motor por botão, tampa do porta-malas com abertura elétrica e faróis com iluminação do tipo full LED.

Entretanto, o sedã não oferece assistências de condução semiautônoma, como alerta de colisão frontal, frenagem autônoma de emergência ou assistente de permanência em faixa de rolamento com correção de trajetória.

O espaço interno é adequado para quatro adultos, inclusive no banco de trás. A “culpa” vai para a boa distância entre-eixos de 2,76 metros, que, mesmo assim, ainda é menor do que os 2,85 metros do 320i. O generoso porta-malas, que traz tampa com abertura elétrica e uma abertura bastante ampla, comporta até 590 litros.

Apesar de ainda estar longe dos “concorrentes” alemães em dirigibilidade e estabilidade, o E-J7 é uma prova material da evolução da JAC nos últimos anos. Embora não seja possível saber até que ponto os alemães influenciaram no projeto do E-J7, fato é que o sedã atinge um nível de qualidade raro de se ver na JAC até alguns anos atrás.

Bem construído e bonito, ele pode fisgar quem quer um carro elétrico e precisa de mais espaço do que os pequeninos Fiat 500e e Mini Cooper, que custam praticamente o mesmo do que o sedã chinês. O problema é só encontrar quem esteja disposto a comprar um sedã em vez de um SUV.

👍  Curtiu? Apoie nosso trabalho seguindo nossas redes sociais e tenha acesso a conteúdos exclusivos. Não esqueça de comentar e compartilhar.

TikTok TikTok YouTube YouTube Facebook Facebook Twitter Twitter Instagram Instagram

Ah, e se você é fã dos áudios do Boris, procure o AutoPapo nas principais plataformas de podcasts:

Spotify Spotify Google PodCast Google PodCasts Deezer Deezer Apple PodCast Apple PodCasts Amazon Music Amazon Music
2 Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Comentários com palavrões e ofensas não serão publicados. Se identificar algo que viole os termos de uso, denuncie.
Avatar
Renato Bruno 23 de janeiro de 2022

Caro José, presumo que problema esteja com o tipo de pessoa que compra o veículo zero km.
As montadoras já decidiram que não querem mais a classe C como cliente, porque além de visitas quinzenais a concessionária para reclamar de absolutamente tudo compra carro novo uma vez na vida, literalmente, para nunca mais.
O modo mais simples de espantar esse público é simples, aumentar o preço a níveis proibitivos que mesmo financiado a prestação será maior que a capacidade de pagamento, ou seja, o banco não libera.
E quem não gostar que chore na cama ou de chilique na internet, pois nada vai mudar, ainda piora muito.

Avatar
José Carlos da Santos 22 de janeiro de 2022

Belíssimo desenho de projeto sino-germânico. Bem que a Vw Brasil poderia lançar sedã com esta inspiração, segmento que está em pleno declínio de vendas por aqui, baseado nesta proposta. A considerar que o Kiwid está em torno de R$ 60 mil, penso que Cuba não está tão longe assim …

Avatar
Deixe um comentário