JAC E-JS4: SUV elétrico tem porte de Compass e preço de Tiguan

Modelo médio começa a ser vendido no Brasil para disputar nicho de mercado: pelo preço de R$ 249.900, ele deve em alguns detalhes

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Design é chamativo, mas idêntico ao da versão a combustão (Foto: JAC Motors | Divulgação )
Por AutoPapo
05 de agosto de 2021 09:05
Júlio Cabral, especial para o AutoPapo

Os SUVs médios estão em evidência após o sucesso do Jeep Compass e o lançamento de rivais de peso, exemplos do Toyota Corolla Cross e Volkswagen Taos. Mas nem todas as novidades do segmento focam em números de vendas absurdos. É o caso do JAC E-JS4, utilitário elétrico que começa a ser vendido por R$ 249.900.

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Nicho do nicho, o E-JS4 está na medida para aqueles que desejam ter um SUV elétrico pelo preço de um hatch do mesmo tipo. Para você ter uma ideia, o carro elétrico mais vendido do mundo, o Nissan Leaf, sai por R$ 277.990 no Brasil. O valor pedido pelo JAC o deixa próximo do pedido pelo Volkswagen Tiguan R-Line.

Vamos ao carro. Ao chegar na concessionária, deu para notar que o JAC E-JS4 é tão discreto quanto o T60 Plus, a sua versão a combustão. Mas isso não quer dizer muito, uma vez que o último facelift do carro original o deixou com jeito de conceito japonês. A discrição passou longe.

Ainda dá para ver que é o mesmo automóvel pré-facelift ao olhar a parte central da carroceria, porém isso seria impossível de ser atestado caso fosse uma foto 3×4. A dianteira tem faróis divididos em filetes, enquanto a traseira investe em lanternas com desenho semelhante. São esses os pontos que mais mudaram.

Na hora da fita métrica, o JAC mostra que seu porte é realmente médio. São 4,41 metros de comprimento (um centímetro a mais que o Compass) e 2,62 m de entre-eixos (três centímetros a menos que o Jeep).

Equipamentos do JAC E-JS4

Ao entrar na cabine, o acabamento agrada. Há alguns cuidados como uma cobertura revestida de couro na parte superior do quadro de instrumentos e uma faixa macia do mesmo tipo percorrendo o painel. O quadro de instrumentos digital tem três modos de visualização e boa definição. A central multimídia exibe tela horizontal de 10,25 polegadas e encanta pelas cores vívidas. Por sua vez, os comandos de ventilação são do tipo touch.

Entrar e sair do banco traseiro exige apenas um pouco de cuidado com a cabeça. Uma vez acomodado, noto que há um bom vão para quem tem até 1,83 m de altura, e o teto solar não atrapalha quem vai atrás. O piso quase plano também ajuda ao acomodar as pernas – a colocação das baterias no assoalho não parece ter tolhido o espaço. Há ainda saídas de ar para quem vai ali. O porta-malas tem 560 litros (divulgados) até a altura dos encostos.

A lista de itens inclui ar-condicionado digital de uma zona (poderiam ser duas), banco do motorista com ajuste elétrico de altura e de distância (a regulagem do encosto é manual!), teto-solar panorâmico, entrada e partida sem chave, freio de estacionamento eletrônico (com auto hold), revestimentos de couro, retrovisor interno antiofuscante, entre outros.

Impressões ao dirigir

Na hora de pegar a estrada, o teste começou com uma baliza. Apertado entre um buraco e um poste no meio da calçada, o JAC conseguiu sair com o auxílio das câmeras de 360 graus e dos sensores. Você pode clicar em cada uma delas individualmente para ver o que se passa naquele ângulo ou ver aquela visão de cima. Além disso, a lateral do carro é exibida no momento em que você muda de faixa.

Melhor só se o JAC E-JS4 investisse em itens de direção semiautônoma, exemplos do controle de cruzeiro adaptativo e da frenagem automática. Ele pode custar cerca de R$ 170 mil a menos que um XC40 elétrico, mas o Volvo se destaca por essas coisas.

Há outros detalhes negativos. As opções ré, neutro e drive são selecionadas por um comando giratório no console, mas ele pode girar 360 graus. Melhor seria se o seu movimento fosse limitado. A ergonomia sofre com os ajustes dos retrovisores colocados no canto esquerdo do painel e pela falta de ajuste de distância do volante – o mecanismo também carece de suavidade.

Desempenho

Embora a potência de 150 cv não seja avassaladora, o torque máximo instantâneo de 34,7 kgfm faz o JAC E-JS4 ter aquela prontidão a qualquer pisada que caracteriza os elétricos. Segundo a marca, o SUV vai de zero a 100 km/h em 7,5 segundos.

A agilidade no trânsito impressiona e o fôlego vai bem até os 130 km/h, velocidade na qual é exibida no painel uma mensagem pedindo para reduzir a tocada com um “diminuia” a velocidade, no lugar de diminua. Seja como for, é uma forma de não exaurir rapidamente as baterias, motivo pelo qual a velocidade máxima é limitada a 160 km/h.

Mesmo em velocidade elevada, o silêncio a bordo parece que você colocou um daqueles tampões auriculares ou fones com anulação de ruídos.

O ajuste dinâmico sofre com o peso extra das baterias, que respondem por cerca de 300 kg do total de 1.680 kg. Esse peso e o ajuste confortável acentuam a inclinação nas curvas e frenagens. Contudo, não é nada que fuja da proposta de um SUV.

JAC E-JS4 tem boa autonomia

Eu não queria lhe usar como confidente, mas tenho que compartilhar que sou do tipo ansioso. Especialmente quando me falam que eu preciso fazer deslocamentos de estradas com carros elétricos. Afinal, em caso de descarregamento, não dá para pegar uma bateria, ir andando até o posto e voltar com ela cheia.

Contudo, o JAC E-JS4 tem 420 km de autonomia, algo que me tranquilizou. Mas há um porém. O alcance projetado segue a norma NEDC, padrão europeu desatualizado e que foca em testes de laboratório, ou seja, longe das condições reais de utilização. A despeito disso, a autonomia ainda estava em 210 km quando chegamos da viagem de mais de 160 km. Nada mal para o ritmo que andamos.

O plugue do carregador segue o padrão chinês, mas tem um adaptador para o padrão europeu. De acordo com a JAC, a recarga completa em uma tomada 220V padrão leva cerca de oito horas, porém esse tempo é bem menor em estações rápidas. Ainda segundo eles, o custo de rodagem do E-JS4 é seis vezes menor do que um SUV a combustão. Mas lembre-se que você tem que gastar R$ 250 mil para começar a economizar.

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1 Comentário
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Carlos Alessandro 5 de agosto de 2021

Mesma faixa de preço do 500e da Fiat, que é bem menor… Ambos ainda muito caros! Não vejo benefícios ainda.

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