Esses 10 carros ‘comuns’ são mais raros do que o Porsche 911 no Brasil

O termo "carro raro" define esportivos ou clássicos; mas também pode servir para definir alguns carros mais comuns que simplesmente não fizeram sucesso

nissan altima branco frente em movimento rodovia
Todo mundo lembra do Ford Fusion e do Honda Accord, mas você se lembra que a Nissan vendeu o Altima aqui? (Foto: Nissan | Divulgação)
Por Eduardo Rodrigues
18 de dezembro de 2021 11:05

Vender poucas unidades de um carro esportivo, um importado de luxo ou carro de marca com pouca representatividade no Brasil é comum. Mas graças à imprevisibilidade do gosto do consumidor, más escolhas no posicionamento do veículo, fatores políticos e até pandemias, alguns carros comuns são mais raros que o esperado.

Por isso, o AutoPapo revirou os dados de emplacamentos da Fenabrave — e a memória da equipe — para encontrar alguns desses carros comuns que venderam pouco. Alguns deles são até mais raros que esportivos de preços milionários ou carros de luxo. Como referência, de janeira a novembro de 2021 o Porsche 911 emplacou 836 unidades.

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1. Volkswagen Polo GTI – 30 unidades

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O GTI foi o único Polo de duas portas no Brasil (Foto: Volkswagen | Divulgação)

Em 2006 a Volkswagen trouxe um lote do Polo GTI, importado da Espanha. A ideia era testar a receptividade do consumidor brasileiro e trazer mais unidades futuramente. Mas no final acabou sendo apenas esse lote de 30 unidades.

O Polo GTI custava mais caro que o Golf GTI fabricado no Brasil e trazia o mesmo motor 1.8 20 v turbo, mas com o acerto mais “manso” de 150 cv. Jogando a favor do Polo estavam as medidas e peso menores, a carroceria de duas portas e a exclusividade. Hoje é difícil encontrar um à venda – quando acontece é bastante valorizado.

2. Volkswagen Golf GTE – 99 unidades

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No Golf GTE o desempenho era de GTI, o consumo era de híbrido (Foto: Volkswagen | Divulgação)

A Volkswagen lançou o Golf GTE como uma despedida do hatch médio no Brasil. A produção nacional já havia encerrado e 99 unidades dessa versão esportiva híbrida foram importadas. As vendas foram lentas e foi necessário que uma locadora comprasse as unidades encalhadas.

Apesar da resistência do público, o Golf GTE trazia bastante tecnologia para unir o desempenho do GTI com um consumo baixo. Movendo esse laboratório estava o motor 1.4 TSI unido a um conjunto híbrido, entregando uma potencia total de 204 cv e 35,7 kgfm de torque.

3. Mercedes-Benz A200 – 113 unidades

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A segunda geração veio logo após o fim da produção do Classe A nacional (Foto: Mercedes-Benz | Divulgação)

Todo mundo se lembra do Mercedes-Benz Classe A fabricado no Brasil e do atual em forma de hatch tradicional. Mas entre 2006 e 2010, foi importado para o Brasil o Classe A de segunda geração, na versão A200. Nesse período foram vendidas apenas 113 unidades, com 2007 sendo o melhor anos com 71.

Esse A200 trazia motor 2.0 aspirado de 136 cv aliado a um câmbio do tipo CVT. O desenho da carroceria era uma modernização da primeira geração. A construção diferenciada com chassi do tipo sanduíche continuou e vieram mais modernizações como aços de alta resistência.

4. Kia Picanto GT – 117 unidades

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A terceira geração do Kia Picanto não conseguiu o sucesso das duas anteriores (Foto: Kia | Divulgação)

O Kia Picanto fez sucesso no Brasil nas duas primeiras gerações, mas quando chegou na terceira isso não se repetiu. O que atrapalhou as vendas do compacto foi o programa Inovar Auto. Isso afetou outros importados, mas o compacto equipado com motor 1.0 amargurou apenas 117 unidades emplacadas.

O motor era o mesmo do Hyundai HB20 nacional, porém aliado a um câmbio automático de quatro marchas. As medidas diminutas faziam desse carro ideal para o uso urbano para quem não precisava levar passageiros. Por dentro ele era bem equipado.

5. Renault Mégane CC – 128 unidades

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O Mégane CC vendeu pouco até para um conversível (Foto: Renault | Divulgação)

Carros conversíveis nunca fizeram grande sucesso no Brasil. O Renault Mégane CC foi uma das opções de conversível que tivemos, mas viveu à sombra do concorrente Peugeot 307 CC. Nos três anos de mercado o francês emplacou apenas 128 unidades.

O conversível importado era igual ao sedã nacional em motorização e equipamentos. Ele vinha na versão Dynamique 2.0 automática. A capote rígida retrátil foi desenhada pela Karmann e trazia um teto de vidro, para iluminar a cabine até em dias chuvosos.

6. Chevrolet Malibu – 180 unidades

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A Chevrolet desistiu de vender essa geração do Malibu e passou os carros para a frota interna (Foto: Chevrolet | Divulgação)

O Chevrolet Malibu chegou atrasado para brigar contra o Ford Fusion no Brasil. Quando chegou, estava em desvantagem por vir do Canadá, pagando mais tributos de importação. A Chevrolet planejou trazer a geração seguinte a partir de 2013, mas mudou de ideia depois de começar a trazer os carros.

Essas 180 unidades emplacadas nos anos seguintes não foram vendidas diretamente para consumidores e foram usadas na frota interna. Mais tarde esses carros foram vendidos para concessionários e, a partir daí, chegaram ao mercado de usados.

7. Peugeot 508 – 292 unidades

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O Peugeot 508 era um sedã executivo com bom custo/benéfico quando novo, mas não emplacou (Foto: Peugeot | Divulgação)

O Peugeot 407 conseguiu vender bem para um sedã grande importado, muitas vezes figurando no top 50 de nosso mercado. Seu sucessor direto, o 508, não conseguiu a mesma sorte e amargou com apenas 292 unidades em três anos de mercado.

O carro não pode ser o culpado pelo fracasso em vendas: ele era moderno, bem equipado, trazia o mesmo motor THP de outros produtos mais acessíveis da PSA e o preço era mais acessível que o do Ford Fusion e Hyundai Azera. Uma curiosidade sobre esse carro é que ele pesa menos que o irmão menor 408, resultando em um desempenho superior.

8. Kia Rio – 540 unidades

Kia Rio na cor vermelha com a dianteira em detalhe em movimento na estrada
O irmão do Hyundai HB20 chegou com um timing ruim e saiu cedo do mercado (Foto: Kia | Divulgação)

O Kia Rio era um carro cheio de expectativas no Brasil: ele trazia a mecânica e plataforma incrementada do bem-sucedido Hyundai HB20, porém trajando um design mais elegante. Mas ninguém contava com uma pandemia global iria atrapalhar os planos da Kia no Brasil

O lançamento do Rio foi no começo de 2020, logo em seguida se deu o início da pandemia de Covid-19. As vendas de carros novos caiu e o pequeno Kia encalhou nas lojas. Agora no final de 2021, a Kia anunciou o fim da importação do modelo, que emplacou 540 unidades.

  • O Boris testou o Kia Rio, veja o que ele achou do hatch:

9. Nissan Altima – 1.162 unidades

nissan altima
O Altima é um sucesso nos EUA, no Brasil viveu na sombra dos rivais (Foto: Nissan | Divulgação)

Essa categoria de sedãs grandes sempre possuiu vendas consideráveis antes da atual moda dos SUV. Honda Accord, Ford Fusion e Hyundai Azera foram os principais modelos da categoria nos últimos anos. O Nissan Altima tinha tudo para peitar esses carros, ainda mais com as boas vendas do irmão menor Sentra.

Mesmo importado dos EUA, o Altima custava menos que o Fusion mexicano. Mas nem isso e seus bancos criados com base em estudos da Nasa ajudaram o sedã. Ele foi trazido apenas em 2014, mas seu estoque durou três anos. Hoje o Altima virou uma opção de usado com bom custo/benefício.

10. Nissan Sentra 1.8 – 1.196 unidades

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A Nissan só conseguiu emplacar o Sentra no Brasil com a geração seguinte (Foto: Nissan | Divulgação)

O Nissan Sentra é o eterno rival da dupla Toyota Corolla e Honda Civic lá fora. Aqui ele chegou em 2004 atrasado para a festa. Essa geração veio apenas na versão GXE 1.8 com câmbio automático, o que limitou as vendas em uma época onde ainda existia procura por sedãs com caixa manual.

Esse Sentra já estava em fim de carreira e seu estilo era datado, o que fez dele um mero coadjuvante na categoria. Em 2005, ele vendeu menos que o Volkswagen Passat. No fim de 2006 a vida do Sentra melhorou com a nova geração, que contava com três modelos, duas opções de câmbio e preços bastante agressivos.

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3 Comentários
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Rocha 21 de dezembro de 2021

Bóris pode colocar ai o 208 GT com o motor THP de até 173cv. Foram fabricadas em torno de 600 unidades. É um carro bem discreto.

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Jean robson 19 de dezembro de 2021

O mais raro e melhor: o japonês mitisubishi grandis 7 lugares câmbio cvt

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Luciano Ayoub Jorge 18 de dezembro de 2021

Pode adicionar na lista o Chrysler Sebring, que não deve ter chegado à 100 unidades no total…dirigi um por uns 2 anos ,ano 2002.Outro que me lembro e também não deve ter muitas unidades é o Kia Magenta

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