Volvo ofende a Audi, mente para o mercado e despreza o etanol

Marca sueca, em anúncio sobre seus planos para o Brasil, ataca concorrente, mas esconde real motivo da mudança de planos

volvo mente ofende
Volvo cria climão com a Audi (Arte: Ernani Abrahão | AutoPapo)
Por Boris Feldman
18 de dezembro de 2021 08:03

A Volvo quebrou, nesta semana, duas regras básicas de convivência harmoniosa com o setor e com o mercado durante uma entrevista coletiva para anunciar seus investimentos em eletrificação no Brasil.

Em primeiro lugar, citou nominalmente a Audi, que tinha anunciado na véspera dois investimentos no país. O primeiro, de R$ 20 milhões, numa rede de eletropostos de carga rápida. O segundo – e mais importante – sua decisão em voltar a produzir dois modelos (Q3 e Q3 Sportback) em sua fábrica em São José dos Pinhais (PR) em 2022.

A Volvo, no dia seguinte, também anunciou duas novidades:

  1. Investe (R$ 10 milhões, a metade da Audi) numa rede de eletropostos;
  2. Preocupada em estar ecologicamente correta, deixa de importar o XC40, seu híbrido líder de vendas (quase 4.000 unidades no nosso mercado este ano), para comercializar exclusivamente sua versão elétrica a partir de 2022.

VEJA TAMBÉM:

‘Audi anuncia o passado…’

O diretor da filial brasileira da marca sueca tripudiou sobre a Audi, que – segundo ele – estaria “anunciando o passado” (voltar a produzir carros a gasolina), enquanto a Volvo “anuncia o futuro” (importar o elétrico).

Não era necessária tamanha falta de ética nem tanta deselegância. Primeiro, pois enquanto a marca alemã anuncia a retomada da produção no Brasil, com a geração de empregos diretos e indiretos e contribuindo para o desenvolvimento do país, a sueca se limitou a confirmar que não vai mais importar mais o XC40 híbrido, apenas o elétrico.

Pior ainda: a Volvo não está abrindo mão de seu principal faturamento no Brasil para estar ecologicamente correta e contribuir com a limpeza atmosférica. Ela simplesmente não poderá mais vender o XC40 híbrido, seu líder de vendas no país, pois ele não se enquadra na nova legislação (Proconve L7), em vigor a partir de janeiro de 2022.

Esta nova fase do programa de controle ambiental (L7) está mais alinhada às exigências da legislação dos EUA, que contempla também as emissões evaporativas, além das emitidas pelo escapamento.

Então, o XC40 é vendido em todas suas versões na Europa, mas apenas com motor a gasolina ou elétrica nos EUA, pois a híbrida não é homologada para o mercado norte-americano. Nem seria para o nosso.

Volvo anuncia uma mentira

A matriz da marca na Suécia poderia adequar o XC40 híbrido ao Proconve L7, pois o maior problema das novas exigências não são as emissões do escapamento, mas as evaporativas do tanque de combustível. Entretanto, os suecos consideram não ser razoável este investimento, pois o volume de vendas no Brasil não o justifica.

Aí está, portanto, o verdadeiro motivo de interromper as vendas da versão híbrida do XC40 no mercado brasileiro. E não, como mentiu o diretor, para estar alinhado com a política ambiental da marca.

E ainda desprezou o potencial do etanol: durante a mesma entrevista, um jornalista perguntou o motivo de a Volvo não implantar, assim como a Audi ou BMW, uma fábrica no Brasil.

Ele respondeu que não valeria a pena investir para atender ao mercado regional, mas somente se fosse viável também exportar os produtos aqui fabricados.

O jornalista retrucou, afirmando que Volkswagen e Nissan investem numa nova tecnologia que poderia movimentar carros elétricos mundialmente a partir do etanol. Retirando dele o hidrogênio para uma célula a combustível.

O diretor da Volvo respondeu que, mesmo com os investimentos das outras marcas, o etanol ainda não passa de uma solução regional e que, enquanto não for exportado e adotado por outros  países, que a empresa sueca não acredita nele como solução de mobilidade em outros países.

E nada mais foi dito, e muito menos comentado…

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26 Comentários
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Jose 29 de dezembro de 2021

Boris é apenas mais um velho volkista que nasceu e viveu dirigindo Fusca e Brasília. Sua principal função é denegrir as marcas que não sejam da VW. Seja isento Boris , pois no final eu gosto de vc e te admiro.muito.

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Roberto Sousa Ribeiro 24 de dezembro de 2021

conhecem a Gurgel 1980 primeiro carro eletrico do Brasil e do mundo que o governo do brasil quebrou junto com montadoras com seu carros mediocre que muitos consagram estas carroças tipo fus….e seus derivado a tesla nem sonhava em criar carros eletricos, apesar que o primeiro a desenhar o carro eletrico da tesla foi bem antes de amaral gurgel to certo ou errado?

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Yuri 24 de dezembro de 2021

Vamos desconstruir esses argumentos.
1. Daqui 1, 2 anos esse Audi fundo de quintal será descontinuado e perderá valor por não ser o original alemão ou seja lá de onde venha.
2. O etanol não é vantajoso nem ontem, nem hoje, nem amanhã. Não é confiável. Somente os governos vem forçando esse combustível pelo mundo.
3. A história do etanol é tão canalha que somente agora nós demos por conta que o Partido do Proletariado permitiu a concentração de 18 a 30%, mas nunca sequer teve uma diminuição. Mesmo agora o setor não permitiu a redução dessa Joça da nossa gasolina, mesmo custando 6 reais 1L.

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Celio Santos 29 de dezembro de 2021

Concordo completamente com o Yuri, e adiciono uns dados interessantes, a Nissan nos experimentais com célula de etanol SOFC conseguia 24km/litro o que daria hoje 20 centavos por km e o BMW I3 que nem é o mais atualizado seria +- 15 centavos com os custos de eletricidade exagerados que estão praticando.

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MAURICIO DECARLUCCI 29 de dezembro de 2021

Concordo plenamente com você, os produtores de etanol deitam e rolam nos $$$$ que ganham nos obrigando a abastecer com 1/4 de etanol cada vez que enchemos o tanque com gasolina, esse descalabro tem que acabar.

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Oliveira 23 de dezembro de 2021

Pior é a FORD que abandonou milhares de brasileiros que compraram suas carroças velhas e ruins e agora ficou na mão. Outra coisa Boris vendi meu corolla cross xre e comprei um compass longitude 80 anos a multimidia que tanto falam além de não rodar vídeos as 10 polegadas tirando o monte de botões sobram apenas umas 4 ou 5 polegadas zero para JEEP a multimidia do corolla cross é a melhor.

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Bruno Dias 23 de dezembro de 2021

So uma coisa que nao foi dita, o volvo é o q mais tem manutençao la emcima avalie falar de carro eletrico ai mesmo que iria sobrar pro nosso sofrido consumidr .Emboora. Fosse eletrico com emissao zero e por ai vai

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Adamastor 23 de dezembro de 2021

Na minha opinião as terras deveriam ser utilizadas para produzir alimentos, e não álcool automotivo. Também acredito que o álcool hidratado não é um bom combustível, principalmente para motores modernos com injeção direta, pois tem causado problemas no sistema pelo baixo poder de lubrificação do etanol, e pelo alto poder de corrosão em função da presença de água, e ácidos orgânicos do pós queima, e anidrido acético. Eu acredito que os carros 100% elétricos virão pra ficar, e sugiro que seja feita uma matéria com a conversão de motores atuais à combustão para motores elétricos já disponíveis no mercado! Parabéns Bóris!

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Yuri 24 de dezembro de 2021

E você acha que até o papa já não sabe disso? Tudo que o governo nos obriga, é porque não presta. Não temos nem sequer a opção de gasolina com 10% de etanol, mas etanol sem gasolina podemos comprar a vontade, tudo errado.

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Roberto Karpinski 23 de dezembro de 2021

Só esqueceram que quem manda nesse mercado é a Tesla…portanto tudo ai dito é conversa para boi dormir….nada de postos etc etc etc

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Jovi 23 de dezembro de 2021

Como não tenho dinheiro para comprar nem os Audi e nem os Volvo… vou andar de Onix a álcool por muito tempo!

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DP 23 de dezembro de 2021

Tenho 51 anos, já vi várias tecnologias de combustível automotivo e devido ao valor dos automóveis 100% elétricos, seja lá qual for à matriz energética, já me programei e conseguirei adquirir um +ou- no ano 2537, usado claro, afinal vivo na Bananolândia e faço parte dos 99% pobres pagadores de impostos!.

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André Bittar 20 de dezembro de 2021

Quanto tempo vai levar para lançar carro à álcool produtor de energia elétrica em célula? 10 anos? Até lá as baterias já se assumiram baratas e o sistema de propulsão elétrico será o mais simples. Baterias serão recondicionadas aos montes, como martelinhos de ouro e Rei do Óleo por aí. Já tem, nos EUA os proprietários de Tesla 2016 para baixo já procuram oficinas de dissidentes da marca, que a restauram facinho (Electrifyed Garage – West Palm Beach), módulos eletrônicos e baterias, por 20% do custo de fábrica… Carro híbrido é caro para fabricar, 2 sistemas de propulsão. Aumenta um pouquinho o elétrico que está resolvido. Se foi por emissão ou por custo do híbrido maior que o elétrico, acho que o jornalista pegou pesado desnecessariamente. A Audi só produz no Brasil porque era uma linha remanescente parada em Curitiba, o investimento já havia sido feito antes de produzir Audi. Não sei por quê tanto mimimi em cima de um assunto tão pequeno. Qual o empresário que não sabe o custo de produção no Brasil, ainda mais se for investimento novo? Nunca teremos viabilidade de montagem de carros de alto nível aqui. Talvez produção de algumas peças para exportação, mas nem isso viabiliza. Aqui é assim, agronegócio ou aeroporto!

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Leonardo Costantini 20 de dezembro de 2021

Proconve L7 é de conhecimento público há anos. A Volvo trouxe o XC40 a gasolina, aliás um beberrão (tenho um) e o mesmo ficou apenas 2 anos. Aí colocou o XC 40 Hibrido, apenas 1 anos e agora vem com o elétrico. Ficará quanto tempo? Volvo nunca mais. Coloca sobras para vender nos países com indústria “regional” e quem perde dinheiro é quem compra essa “jóia”, já que mudam a cada ano, sem ter qualquer estratégia de mercado. O Audi Q3 é muito melhor que esse XC40 (Já tive tb). XC40 é um carro beberrão e com manutenção caríssima. O XC40 a gasolina parece um Dodge V8, na estrada a 110km/h faz uma média de 8,5km/l.

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Adair Storck 20 de dezembro de 2021

Vamos deixar claro uma coisa – dizer que a Volvo é sueca é ofender os suecos. Há muito um grupo chinês a adquiriu e fábrica os automóveis na China. Bandeirinha da Suécia é exclusivamente que o CEO AINDA é sueco. E só.

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Tony Pacheco 20 de dezembro de 2021

Resumo da ópera: automóveis no Brasil, somente para a casta de 1% (segundo a BBC de Londres) de brasileiros que ganham mais de 30 mil mensais. Os outros 99%, daqui a 5 a 10 anos, só comprarão automóvel usado. Muito usado. E ponto final.

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Eddie 19 de dezembro de 2021

Eu vivi o Proalcool no seus primeiros anos, do adesivo no vidro traseiro, era muito em conta rodar no etanol. Dai veio a maracutaia entre governo, usineiros e distribuidores, resultado Proalcool afogou. Essa de produzir H2 a partir do etanol será mais um engodo favorecendo esse trio novamente.

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claudio Vaz de Moraes 19 de dezembro de 2021

Prepotência muito grande para quem vende tão pouco comparado as marcas citadas por eles próprios.

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Lafayette 19 de dezembro de 2021

Não só de Carros virão as dominações chinesas, toda a tecnologia ocidental será aperfeiçoada na China e já estamos observando que o ocidente está ficando para trás !

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Perequê 18 de dezembro de 2021

Marca sueca?
A empresa tem como acionista majoritário desde 2010 a companhia chinesa Zhejiang Geely Holding Group e como acionistas minoritários as sociedades suecas Första AP-fonden, AMF e Folksam

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IVAN VASCONCELLOS 18 de dezembro de 2021

Como $empre o que vale me$mo $ão a$ Boa$ inteçõe$$$$$$$$$.

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Sir.Alves 18 de dezembro de 2021

O volvo começou a decadência quando começou a ser GERIDA pelo GRUPO Chinês que vem * a marca… estão perdendo toda a referência de inovação em segurança que tinham num passado não muito distante… e agora estas declarações tendenciosas da reportagem… se cavando a própria cova.. pois a célula de combustível renovável com etanol é FUTURO… pois carros 100% elétricos são INVIÁVEIS e NÃO serão nem de perto maioria nas estradas na próxima década… é só uma questão de bom senso… que a gestão chinesa da Volvo mostra não TER.

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Mário Mascarenhas 18 de dezembro de 2021

Sobre viaturas eléctricas: o preço da bateria de substituição para NISSAN LEAF passou de 9 900,00€ para 29 900,€ (imposto de IVA 23% inc) O mesmo se está a passar com a RENAULT com o custo actual de 27 000,€ (IVA inc), anteriormente 7 700.00€. Custa tanto um bateria com um carro novo. Para já, viva o eléctrico.

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Mamonah Assaçyna 18 de dezembro de 2021

Roda roda roda e vira, solta a roda e vem

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Ney Verdandi 18 de dezembro de 2021

A médio prazo os chineses dominarão o mercado de carros elétricos; fabricam atualmente as melhores baterias do mundo. Marcas como Polestar, BYD, Bayc, MG, XPeng,Nio, etc. avançam de forma significativa no mercado europeu, apresentando modelos seguros, tecnológicos e mais baratos. A indústria alemã anda de cabelo em pé.

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