Nova gasolina brasileira: o que vai mudar para o consumidor?

Como estabelecimento de uma densidade mínima, a principal vantagem para consumidor será a maior dificuldade na adulteração do combustível

bomba de combustivel gasolina etanol diesel frentista posto de combustivel abastecer shutterstock 2
Nova gasolina começa a ser vendida no próximo dia 3 de agosto (Foto: Shutterstock)
Por AutoPapo
29 de julho de 2020 17:25
Com Agência Brasil

Entra em vigor no próximo dia 3 de agosto a resolução da ANP para uma nova gasolina em todo o Brasil, com novas exigências para torná-la ainda melhor. São três itens que a agência que regula o combustível no Brasil resolveu estabelecer novas exigências: o densidade, octanagem e ponto de vaporização

Entre as três novas exigências da ANP para a nova gasolina brasileira, a mais importante para o motorista é a que estabelece densidade mínima de 715 kg/m³. Em outras palavras, é quanto deve pesar um litro de gasolina: 715 gramas.

Densidade mínima: para quê serve?

Ainda não havia um padrão estabelecido para a densidade, ou massa específica (ME), fundamental para o bom funcionamento do motor. Pois, quanto menor a densidade, maior o consumo.

O problema é que a maioria dos solventes utilizados para se adulterar a gasolina tem peso (densidade) inferior. Então, a exigência de densidade mínima vai complicar a vida de quem “batiza” a gasolina com solventes,  garantindo portanto um padrão de qualidade também no posto.

Nova gasolina no Brasil vai ficar mais eficiente e mais cara

Quanto mais densidade, mais eficiência, menos consumo. A gasolina mais densa tem mais energia disponível para ser convertida no momento da combustão, e isso fará com que os veículos sejam capazes de circular mais com menos combustível.

A nova gasolina demanda um custo maior de produção e tem maior valor no mercado internacional então ficará mais cara. Por outro lado, a expectativa é que o consumo dos carros com ela seja de 4% a 6% menor.

Os carros vão ficar mais potentes com a nova gasolina?

A octanagem da nova gasolina no Brasil é outro ponto de mudança. O que é octanagem? É a capacidade que a gasolina tem de resistir a compressão dentro do motor. Depois que a gasolina entra vaporizada, o pistão comprime e aí vem a faísca na vela e explode; isso é que faz o carro andar.

Hoje, a octanagem é de IAD 87: esse IAD 87 é um valor médio entre dois sistemas de medição; MON e RON. O IAD é usado em alguns países, EUA e Brasil entre eles. Na Europa, a octanagem é definida pelo RON. Se ela é 80 MON e 90 RON, então é IAD 85, por exemplo.

A diferença entre as duas medições é que a octanagem MON mede a resistência à detonação em uma rotação mais alta, e a octanagem RON mede o mesmo parâmetro em rotações mais baixas.

A octanagem da nossa gasolina comum/aditivada é IAD 87. Da gasolina premium (BR Podium, por exemplo), IAD 95. A partir de 3 de agosto, a octanagem não muda na nova gasolina no Brasil, mas terá a classificação RON 92 (=IAD 87) e a premium será RON 97.

Além disso, a ANP estabeleceu, para valer a partir de janeiro de 2022, octanagem um pouco maior, RON 93, para a comum/aditivada.

Muita gente achou que IAD 87 para 92 RON é uma grande conquista, mas não é. É praticamente a mesma coisa. Os carros mais novos e com taxa de compressão elevada poderão se beneficiar com um combustível com maior octanagem. Por outro lado, uma octanagem baixa pode provocar a “batida de pino” em qualquer motor.

Carro em abastecimento
Todos os postos do Brasil deverão vender a nova gasolina até 1º de novembro (Foto: Shutterstock)

 Ponto de vaporização: o que é e para quê serve?

Outra novidade nas especificações da nova gasolina brasileira é o estabelecimento de uma faixa com limite máximo e mínimo de temperatura para uma evaporação de 50% da gasolina, parâmetro que é chamado de destilação e mede a volatilidade do combustível.

Antes, a ANP regulava apenas o limite máximo. A doutora em química e especialista em regulação da ANP Ednéia Caliman explica que um perfil adequado de destilação gera melhora na qualidade da combustão em ponto morto, na dirigibilidade, no tempo de resposta na partida a frio e no aquecimento adequado.

Além disso, a volatilidade da gasolina pode até resultar em bloqueio nos dutos de combustível, provocado pela formação de bolhas (vapor lock).

Motor vai precisar ser ajustado à nova gasolina?

Os motores não vão precisar passar por qualquer ajuste para consumir a nova gasolina brasileira.

Como fiscalizar a venda da nova gasolina brasileira?

Mas, como será possível ao motorista conferir – no posto – se a nova exigência será cumprida? Simplesmente mergulhando na gasolina um densímetro calibrado entre 700 e 750 gramas por litro: se indicar valor abaixo de 715, é prova de combustível adulterado. Todos os postos deverão disponibilizar o medidor para testar a densidade da gasolina a pedido do consumidor.

Atenção: a ANP deu um prazo de até 90 dias para se esgotar toda a gasolina velha no Brasil. Então, nós vamos ter durante esses 90 dias uma mistura da nova gasolina brasileira com a velha. Mas preste atenção! Você não tem mais condições de comprar da velha daqui a 90 dias, só terá da nova.

Como denunciar irregularidades?

A partir de 1º de novembro de 2020, a nova gasolina deverá ser a única vendida nos postos do país. Caso o posto não esteja cumprindo o prazo, o consumidor poderá fazer uma denúnica na ANP pelo telefone 0800-970-0267 ou pela página na internet do Fale Conosco da agência.

O posto também pode ser denunciado caso se recuse a fazer o teste, também deve ser denunciado.

SOBRE
7 Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Comentários com palavrões e ofensas não serão publicados. Se identificar algo que viole os termos de uso, denuncie.
Avatar
Juca 17 de julho de 2021

O objetivo da economia é utilizar os recursos em benefício dos seus proprietários. O petróleo por ser um produto extraído do solo, seja no continente seja no mar, é um patrimônio do povo brasileiro e portanto deve ser utilizado em benefício do povo. Logo, verifica-se o custo da sua extração e transformação em gasolina, acrescenta-se um percentual (20% é suficiente) para manutenção e ampliação da empresa produtora estabelecendo o preço final do produto na refinaria. Diante dos recursos existente na tão badalada Petrobrás esse custo não ultrapassaria os $2,50 por litro. Acrescenta-se mais $0,50 por litro para distribuição e teremos uma gasolina a $3,00 por litro. Quanto isso beneficiaria o transporte bem como a produção de alimentos e outros bens de consumo. O fato do barril de petróleo no mercado internacional estar em alta nos é muito favorável porque podemos vender petróleo e lucrar com isso. Mas isso não quer dizer que nós, o povo brasileiro, deva bancar esse lucro. O preço aqui para nós é um ($3,00 que é o seu custo real) e para exportar é outro e quanto mais alto melhor porque esse lucro pode ser revertido em benefício do povo brasileiro.

Avatar
Emanuel Tapia 9 de outubro de 2020

É uma vergonha o que a Petrobrás fez. Inventou algo mentiroso só para compensar as reduções dos valores dos combustíveis por causa da queda do valor do barril de petróleo.

Só mudou o nome e diz com toda cara de pau que agora é outra classificação. A gasolina lixo é a mesma.

Isso meus amigos é coisa do presidente Bolsonaro. Sei que deve doer em alguns eleitores. Mas é a verdade!

Avatar
valter 11 de março de 2021

O Bolsonaro não interfere na politica de refino e preços da Petrobrás e quem dita as normas ainda é a ANP Agencia Nacional do Petróleo. É se informar para não falar asneiras. Para quem esta por fora, a própria ANP autorizou a comercialização por petroquimicas de uma gasolina alternativa chamada de gasolina formulada, bem inferior a Gasolina C. Comos os postos não tem tanques apropriados e nem é exigido, eles compram essa gasolina inferior e colocam no mesmo tanque da Gasolina C refinada. Pronto cai a qualidade da mesma. Jabuticaba nacional

Avatar
Celso 16 de agosto de 2020

Não é fácil batizar a gasolina com uma mistura de solvente com água pra dar os 0,715 kg?

Avatar
José Orlando 3 de agosto de 2020

Saudades da gasolina azul dos anos 1970, alta octanagem, limpa e honesta; quando ouvimos falar de adulteração e ” jeitinho” sentimos falta de leis duras para enquadrar esses simpatizantes como crimes hediondos.

Avatar
Eros Borba 1 de agosto de 2020

Se for mais cara até 4% tudo bem. Se for mais que isto só é interessante por conservar um pouco mais o motos. A maioria das pessoas trocam de carro antes de começar a dar problemas.
Acho que deveria ter as opções de consumo, abastecer conforme a necessidade de cada um.

Avatar
Leandro 30 de julho de 2020

Pra quem tem carros simples, 1.0, (grande maioria) acho que nada vai mudar de desempenho e consumo, só vai ficar mais caro. E no Brasil nada é 100% seguro, sempre dão um jeitinho…

Avatar
Deixe um comentário