Existem câmbios que nunca precisam trocar o óleo?

Sim, algumas caixas de marchas, tanto automáticas quanto manuais, não necessitam de substituição do fluido: entenda

Por Alexandre Carneiro 08/10/20 às 09h00
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Há alguns anos, chegou ao mercado o câmbio com óleo do tipo long life, que nunca precisa de troca. Os fabricantes afirmam que, nesses casos, o fluido é tão durável quanto a própria caixa de marchas. Exatamente por isso, não há necessidade de substituí-lo.

Muitos consumidores, porém, têm dúvidas e até desconfianças em relação a esses sistemas. Essa recomendação se mantém válida mesmo em veículos em idade avançada ou com altíssimas quilometragens?  Não seria conveniente fazer a troca por precaução? O AutoPapo consultou dois especialistas para responder a essas questões.

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De acordo com o engenheiro mecânico João Pavan, diretor do comitê do simpósio Powertrain Transmissões da SAE Brasil e diretor de engenharia de produto da fabricante de autopeças Eaton, na maioria dos casos, veículos que utilizam sistemas long life, seja a transmissão automática ou manual, realmente nunca precisarão de troca de óleo.

Embora diversos fabricantes utilizem transmissões do tipo long life atualmente, mecanismos que necessitam de troca de fluido ainda são comuns. Levantamento elaborado pelo AutoPapo, com veículos de 18 fabricantes, revela quais utilizam o câmbio que dispensa troca de óleo.

Câmbio manual pode nunca precisar de troca de óleo? Assista ao vídeo com as explicações de Boris Feldman!

Pavan explica que, em carros de passeio, quase não há deterioração do lubrificante por ação de esforços. Isso porque esses veículos são leves e, mesmo os utilitários, têm carga útil relativamente baixa. “O ciclo de trabalho de um caminhão, por exemplo, é mais severo, pois a capacidade de carga muito maior faz a transmissão trabalhar com grandes valores de torque”, diz.

Nesse ponto, vale salientar que, ao contrário do que ocorre no motor, o óleo da caixa de marchas tampouco é contaminado pela queima do combustível. Desse modo, a degradação do fluido do tipo mineral é bastante lenta, pois decorre apenas da ação das altas temperaturas de trabalho.

Qual é o segredo do câmbio long life?

E a questão é que o óleo sintético, utilizado no câmbio long life, praticamente não sofre deterioração por ação de temperatura, ou ainda por tempo de uso. O engenheiro salienta que, enquanto um fluido de transmissão do tipo mineral demanda, em média, trocas a cada 100 mil quilômetros, o sintético pode durar de seis a sete vezes mais.

Grande parte dos automóveis sai de circulação antes de atingir tamanhas quilometragens. Além do mais, após um uso tão extenso, o próprio conjunto mecânico já costuma ter atingido (ou até ultrapassado) o limite da vida útil: daí a explicação de que o óleo dura tanto quanto o câmbio em si.

troca oleo cambio automatizado automatico fluido
Tipo de óleo utilizado e projeto do câmbio determinam necessidade ou não de troca (foto: Shutterstock)

Para quem ainda tem receio, Pavan assegura que o câmbio long life é fruto de experiência e trabalho desenvolvidos ao longo de décadas. “A previsão de durabilidade só é feita após vários testes de validação, todos bastante rigorosos”, acrescenta.

Assim, segundo o engenheiro, só mesmo em casos muito específicos, como em carros que rodaram muitas centenas de milhares de quilômetros, o óleo do câmbio long life precisará de troca. Ou então quando os veículos equipados com eles ficarem muito antigos e chegarem aos 30 ou 40 anos: nesses casos, também será conveniente efetuar a substituição.

Câmbio long life já vem com óleo do fornecedor

Ricardo Dilser, assessor técnico do Grupo Fiat-Chrysler Automobiles (FCA) ratifica que o câmbio long life não precisa de troca de óleo. Ele esclarece que esses equipamentos resultam do avanço tanto das ligas metálicas quanto dos fluidos. “Algumas pessoas ainda têm na cabeça as transmissões de 20 anos atrás: nesse período, a indústria evoluiu muito”, pondera.

Atualmente, as transmissões automáticas utilizadas pela FCA em veículos das marcas Fiat e Jeep não precisam de troca de fluido. Dilser garante que a durabilidade das caixas de marchas atuais é maior que a das similares de décadas passadas.

cambio automatico renegade
Alta durabilidade do óleo do câmbio decorre de evolução técnica (Foto Jeep | Divulgação)

Segundo o assessor, essas caixas de marchas são livres de manutenções e intervenções, a ponto de mal serem manuseadas dentro da própria fábrica. “Elas já vêm prontas dos fornecedores (Aisin e ZF, no caso), inclusive com óleo: são apenas instaladas nos carros”, conclui.

Como saber se é necessário trocar o óleo do câmbio?

Informações sobre o tipo de caixa de marchas utilizada no veículo, bem como os procedimentos de manutenção, vêm sempre prescritas no manual do proprietário. Basta consultá-lo para saber se o câmbio precisará ou não de troca de óleo. Os prazos para substituir o fluido, se ele não for do tipo long life, também são informados pelo livreto.

Caso o motorista tenha alguma dúvida, ou não disponha do manual, o mais indicado é entrar em contato com o fabricante do veículo. É possível obter informações sobre o plano de manutenção via telefone, por meio do Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC).

21 Comentários
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    ANDERSON TEIXEIRA MEDEIROS 16 de outubro de 2020

    Meu Sandero é o AL4.
    Mecânicos mandam trocar.A Renaut não. E aí?
    Se alguém tiver uma fonte fidedigna, né ajude.
    Abraço.

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    João Carlos 15 de outubro de 2020

    Olá! Troquei o óleo da caixa do meu Renegade AT 9 Turbo diesel 2016, ficou em 1300,00 reais, mesmo sabendo que o manual descreve como sendo full live, mas nem por isso diminuiu minha preocupação, ficou uma grande dúvida, será que é melhor confiar no mecânico que garantiu que era necessário a troca ou a montadora não se preocupa com a durabilidade do conjunto? A verdade é que a caixa custa pelo menos 1/3 do valor do meu veiculo!!

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    Marcelo 10 de outubro de 2020

    Tenho a nova uno Sporting 2014/2015 automatizada com 83.000 km e não sei com qtos km e feito a troca do óleo da caixa e se e necessário? Gostaria de saber com qtos km e indicado fazer a troca??

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    Márcio aparecido bento 10 de outubro de 2020

    Tenho Logan ano 2017 câmbio automatizado me tira uma dúvida é nescessário trocar o fluido do câmbio me dá um retorno desde já agradeço atenção de todos.

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    Marlon Araújo de Melo 9 de outubro de 2020

    Boa tarde!!!
    Queria saber quais os tipos de veículos,montadora e modelo que vem com o câmbio que não precisa fazer a troca do fluido do o mesmo?

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    Lídice 8 de outubro de 2020

    Na verdade existe a necessidade da troca periódica obedecendo a km conforme consta no manual. Essa troca técnica deve ser feita por profissional especializado e com a máquina especifica que realiza a troca de todo o fluido, inclusive do conversor, como se fosse um sistema de hemodiálise. E também trocar o filtro se não for vitalício. O que ocorre é que se já houver algum desgaste interno, como nos discos de composite, por exemplo, a troca de óleo fará com que partículas de material parem no filtro obstruindo a passagem de óleo, por isso apresenta falhas, como patinação, todavia nesse caso com ou sem troca de óleo irá apresentar defeito uma vez que já existe peças deterioradas. Na minha empresa minimizamos o risco fazendo antes um teste de rodagem para avaliar o desempenho do câmbio, alem disso ao iniciar o trabalho verificamos na amostra do óleo velho a presença ou não de partículas. Lembrando que cada caso é um em especial.

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    Jorge Luiz Pereira 8 de outubro de 2020

    Não existe óleo eterno.
    Se não precisasse trocar o óleo não tinha para a venda no comércio de auto peças e casas de trocas de óleo!
    Troquei do meu Kia Cadenza esses dias e daqui 80.000 km vou efetuar a troca novamente!

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    Marcus Vinicius Prado 8 de outubro de 2020

    Nunca li tanto absurdo por centimetro quadrado na minha vida. Juro que li tudo do para ver se existia apenas um fundamento tecnico plausível.

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    Tiago 8 de outubro de 2020

    A reportagem cita apenas um fabricante que equipa os veículos com câmbio automático e óleo do tipo long life.Me parece muito mais um comercial da marca do que uma orientação para donos de veículos com esse tipo de transmissão.
    Basta pesquisar um pouco para encontrar vídeos de carros com menos de 10 anos de fabricação já com trepidação, patinação e outros problemas decorrentes da contaminação e degradação do lubrificante.
    Inclusive no lançamento do GM cobalt automático o manual do proprietário informava que não havia necessidade de troca, dois anos após a informação foi colocada no manual especificando intervalos para troca do lubrificante.
    Poderiam ter dado exemplos e citado mais marcas na reportagem.

    • AutoPapo
      Alexandre Carneiro 8 de outubro de 2020

      Olá, Tiago.
      Caro, a reportagem traz explicações de dois especialistas, sendo que apenas um deles é da FCA. Outro é da Eaton, fabricante de transmissões que não tem qualquer relação com a FCA. Ademais, o texto ainda informa que outras marcas também utilizam câmbios do tipo long life em seus veículos.
      Vale lembrar que as transmissões que necessitam de trocas de óleo ainda são comuns no mercado: nem todos os automóveis atuais dispensam esse serviço de manutenção. Nesses casos, o fluido realmente sofre degradação e, se for negligenciado, trará problemas.
      Por fim, quanto à citação de mais marcas, o AutoPapo já publicou um levantamento com recomendações de 18 fabricantes sobre a troca (ou não) do óleo do câmbio. O link está devidamente disponibilizado no texto, mas, de qualquer modo, também pode ser acessado aqui.
      Espero ter esclarecido suas colocações.
      Abraço!

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        PABLO V GARCEZ 9 de outubro de 2020

        Isso é conversa de fabricante, é mais fácil e rentável trocar a transmissão inteira. Todo cambio manual ou automático sofrem desgaste dos componentes internos, e os resíduos deste desgaste é que contaminam o óleo, ainda não inventaram componentes de atrito ou fricção que não sofra desgaste, e nem um óleo que evitasse totalmente esse atrito, senão os automóveis seriam eternos e não precisaríamos de oficinas.

      • AutoPapo
        Alexandre Carneiro 9 de outubro de 2020

        Caro em momento algum a matéria diz que óleo é eterno: o caso é que a durabilidade é tão longa quanto a da própria transmissão. Como a matéria explica, ” enquanto um fluido de transmissão do tipo mineral demanda, em média, trocas a cada 100 mil quilômetros, o sintético pode durar de seis a sete vezes mais. (…) Após um uso tão extenso, o próprio conjunto mecânico já costuma ter atingido (ou até ultrapassado) o limite da vida útil: daí a explicação de que o óleo dura tanto quanto o câmbio em si.”
        Abraço!

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        PABLO V M GARCEZ 11 de outubro de 2020

        Pega o exemplo da Peugeot com o cambio AL4, em todos os manuais diz que o óleo é vitalício, mas todo bom mecânico sabe que deve trocar entre 40mil e 60mil km, senão o câmbio não chega nem a 100mil km, geralmente quebra antes dos 80mil,e utiliza óleo sintético.

      • AutoPapo
        Alexandre Carneiro 13 de outubro de 2020

        Tem certeza que o câmbio AL4 do Grupo PSA é do tipo long life? As transmissões desse tipo são recentes: começaram a se tornar comuns de poucos anos para cá. Foi justamente nessa época, mais precisamente em 2017, que Citroën e Peugeot abandonaram vez o AL4 e passaram a utilizar o Aisin de seis velocidades em toda a gama (esse, sim, dispensa troca de óleo). Vale lembrar ainda que o AL4 utilizado pela PSA é utilizado no Brasil desde o início dos anos 2000, época em que as caixas de marchas que precisavam de troca regular do fluido eram padrão. Por fim, destaco que nem todos os câmbios que utilizam óleo sintético dispensam troca.

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    Augusto 8 de outubro de 2020

    Depois que acabar a garantia e der problema, quero ver que vai defender o “long-life”.

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      MILTON DELA TORRE DE PAULA JUNIOR 8 de outubro de 2020

      Deixa o óleo lá, pra que trocar se diz pra não trocar,se o seu câmbio quebrar é pq ele ia quebrar de qualquer jeito, até pq o q se vê por aí não são muito confiáveis essas trocas

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      Mattias 8 de outubro de 2020

      E guando começar escorregar as marchas o que fazer?? O meu e
      da ssagyang mecânica da Mercedes-bez !!! Diesel ano 2012 apenas 125.000 km

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      Geovane Santos Silva 9 de outubro de 2020

      Augusto,
      No momento em que a montadora coloca essa informação no manual do proprietário, ela está assumindo a responsabilidade do ressarcimento independente do fim da garantia. Em resumo, essa informação garante uma garantia “long Life”.
      Mas como perito técnico, aconselho a troca num período máximo de 40mil km!

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    Rafael 8 de outubro de 2020

    Temos um outlander com mais de 300.00km conversor de torque e nunca trocamos o oleo, isso ai é papo de mexanicos para ganhar dinheiro.

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      Mattias moira 8 de outubro de 2020

      Eu não sei mais em guem acreditar !!!

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        Romildo 13 de outubro de 2020

        Exatamente Mattias, me encontro na mesma situação que o colega.

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