Por que o preço dos carros continua subindo no Brasil?

Paralisações na produção, alta do dólar, impostos, diminuição da concorrência e crescimento do mercado de usados têm afetado o valor dos veículos

Por Laurie Andrade 17/05/21 às 11h49
mão feminina empilha moedas abaixo de carrinho de brinquedo simulando aumento do preço dos carros
Especialistas apontam que não há perspectivas para diminuição no preço dos carros (Foto: Shutterstock)

O AutoPapo noticiou, em abril, que o preço dos carros novos no Brasil registraram alta de 2%, enquanto os seminovos ficaram 4% mais caros e os usados tiveram acréscimo médio de 5%. As informações, disponibilizadas pelo Monitor de Variação de Preços da KBB Brasil, ainda indicavam tendência de alta. Entenda por que os valores estão subindo.

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Paralisações

Desde o início do ano, pelo menos 10 montadoras de automóveis, caminhões e ônibus anunciaram paralização na produção de veículos em decorrência da crise sanitária ocasionada pelo novo coronavírus e da falta de componentes eletrônicos e matéria prima. Produzindo menos, o país vende menos – por mais.

De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), o primeiro trimestre de 2021 teve desempenho em vendas de veículos zero-quilômetro reduzido, totalizando 527,9 mil unidades licenciadas – o que representa queda de 5,4% em relação aos mesmos meses do ano anterior.

A grande questão não é a comparação direta entre os períodos, mas quanto o mercado diminuiu com relação ao último trimestre de 2020: uma queda de 23% no volume de vendas. Fato que freou a recuperação do mercado que ocorria desde a metade do ano passado.

Dólar e impostos afetam o preço dos carros no Brasil

Luca Cafici, CEO da InstaCarro, analisa que, se colocarmos na balança o alto custo para produzir um carro no Brasil versus quanto se está vendendo com o avanço da pandemia, veremos outras montadoras, além de Ford e Audi, saindo do país. A tendência é mais forte ainda nos veículos de luxo, que sofrem diretamente com o aumento do custo de produção devido à alta do dólar.

Além da moeda estrangeira, outro fator tem agido sobre o preço dos carros em alguns estados: a alta de impostos. Em São Paulo, unidade federativa com a maior frota do país, o governo reajustou, pela segunda vez em 2021, o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS) incidente sobre os automóveis.

Desde 1º de abril, a alíquota para os carros zero quilômetro passou a ser 14,5%. A interferência no preço dos carros é significativa, já que a taxa estava em 13,3% e, no ano passado, era de 12%.

Crescimento do setor de seminovos e usados

Conforme as fabricantes vão deixando de produzir no Brasil, explica Luca Cafici, o mercado fica reduzido, e vão se criando nichos. “Se há alguns anos comprar um carro novo era difícil, porém um sonho possível nos modelos populares que ficavam na casa dos R$ 30 mil, atualmente a mesma categoria de veículos se aproxima dos R$ 50 mil”. E essa alta nos preços faz com que até quem antes só comprava veículos zero migre para os usados.

Também é da Fenabrave a informação de que em fevereiro deste ano o mercado de usados cresceu 15,1% quando comparado ao mesmo mês de 2020. “Não há grandes saídas: a escolha consciente para o consumidor, hoje, é partir para os seminovos e esperar o Brasil voltar a um cenário de normalidade”, opina Cafici.

Esse cenário deve se manter até a produção de veículos ser normalizada e a insegurança causada pelo coronavírus passar, bem como as contratações serem retomadas e a taxa de desemprego diminuir.

Diminuição da concorrência e preço dos carros

Outro fator a se colocar na “balança do preço dos carros novos” é a questão da concorrência. A falta de players no mercado entrega a quem tem o produto a possiblidade de ofertá-lo pelo preço que quer e não se preocupar tanto com a competitividade.

Na categoria dita como “de entrada”, vivemos décadas com uma disputa de quatro grandes representantes: Volkswagen, Ford, Chevrolet e Fiat. A Renault remava pelas beiradas e nos últimos 10 anos a Hyundai conquistou o mercado das grandes. A gama de veículos com preços semelhantes era benéfica ao consumidor, que podia escolher a melhor opção entre X fatores que lhe eram importantes.

Com a saída da Ford, o Ka deixou de ser produzido, recentemente a Volkswagen anunciou que o up! também deixará de ser vendido. Veja só: a concorrência diminuiu, a produção diminuiu e os preços subiram. E o prejudicado nessa equação é o consumidor.

19 Comentários
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José Gonçalves 12 de junho de 2021

Falta um segmento de entrada no mercado, mas que as montadoras não estão interessadas: carros extremamente básicos e urbanos.
No meu tempo os carros se resumiam em motor econômico, câmbio curto, pneus minúsculos e chassi leve. Para muita gente isso é suficiente para ir de carro ao trabalho todos os dias.

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RUDYARD DA SILVA PINHEIRO 26 de maio de 2021

Aumento de 33% em um ano… Que país de otários o nosso, pois tem quem se submeta a pagar isso em um carro zero. Por isso vendo o meu e só ando de uber agora, só o que eu pagaria de impostos já dá pra arcar com a despesa de uber por mês e ainda sobra, só tenho dó dos motoristas de aplicativos pois acho que eles não lucram.

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elder sandro 21 de maio de 2021

Acho que o Brasil é o único país do mundo que arromba seus patriotas, nada é barato aqui é carro, gasolina, eletrônicos etc…

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Joao 19 de maio de 2021

Agora era a hora de algum bilionário começar a produzir carro nacional elétrico ..

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Jorge 19 de maio de 2021

Os consumidores na faixa de 18 a 30 anos, mais ou menos, em sua maioria e nos países desenvolvidos, não têm na lista de prioridades a compra de automóveis e ter sua carteira de motorista. Essa será a tendência do mercado consumidor.

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Deputado Álvaro 19 de maio de 2021

Boa noite amigos. Gostaria de dizer que meu gabinete em Brasília está aberto aos senhores e toda população para que possamos debater ideias para promover a manutenção de empregos no setor bem como medidas para tentar baratear os valores dos automóveis no Brasil. Grande abraço a todos.

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Peixoto Tamanduá 19 de maio de 2021

Aqui tem um monte de economista e empresário do ramo automotivo, impressionante, sabem tudo. Fico pasmo. Povo brasileiro é muito hipócrita, oportinista e desprovido de inteligência.

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B. NOVO 18 de maio de 2021

Por que será que o dólar está dispondo de tanto aumento ultimamente?
O que será que ocorre?
Será que é só por causa da pandemia?

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Carlos 18 de maio de 2021

Bom dia.
E vai subir muito mais não repassaram todo aumento ainda.
Trabalho com a matéria aço que para eu o aumentou já passou de 170% desde início pandemia.
Pessoal achou que 600,00 seria de graça.

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Alessandro Estinatti 17 de maio de 2021

Concordo. O dólar é sempre desculpa, a um ano atrás bateu 5,95 e esse mês tá variando na casa de 5,20 5,30, daqui a pouco aparece outro b.o. e o dólar volta a subir aí eles lembram de falar o quanto subiu

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Comentarista 17 de maio de 2021

⚠️ Nem compensa ter carro… Ter um carro custa muito caro dá trabalho preocupação e até estresse: combustível caro, IPVA caro, seguro caro, manutenção cara, financiamento caro, tem a depreciação do carro, gastos com estacionamento, trânsito estressante, multas, licenciamento, seguro obrigatório, pedágio, medo de assaltos, trabalho pra lavar, secar, limpar, passar aspirador, encerar, polir, calibrar os pneus toda semana. Preocupação com a manutenção, com a forma de dirigir para economizar combustível, medo de ser enganado pelo mecânico, a raiva com os motoristas barbeiros e com os motoqueiros estressados que buzinam e xingam por qualquer coisa se achando os donos da rua…  Ufa! Kkk. Melhor não ter carro. Viajar só de Uber é bem melhor mais econômico e sem neura. É outra vida.

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Carlos 18 de maio de 2021

Bom dia.
Estou nessa vida também.
Vendi o carro e só ando de Uber melhor coisa que eu fiz sobra dinheiro para viajar.🙏🙌

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Octávio Nepomuceno 19 de maio de 2021

Vcs são exploradores. Pq motorista de Uber tbm não ganha um valor que compense o trabalho, mal mantém os custos do carro. Mas é bom se dar bem em cima dos outros né ? Pega um táxi, ou paga um valor a mais pro motorista da Uber, não sejam co.var.des

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cu de aperta salame 10 de junho de 2021

UBER TU NÃO PEGA TRANSITO NÉ MOLOIDÃO, SÓ VOA POR CIMA DO TRANSITO

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Fabio 17 de maio de 2021

Somente matérias como essa, mostram como é a roubalheira do ICMS. Coloquem uma matéria que mostra quanto é o ICMS em cada estado e qunto aumentou desde a última eleição dos governadores.

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Saulo 17 de maio de 2021

Porque somos o povo mais 1d1ota do planeta. Aceitamos carros “pés duro” a preço de carro de luxo. Pagamos 4 vezes o valor de um carros que em muitos países não são aceitos por serem muito ruins.

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Carlos 18 de maio de 2021

Bem mais. Carros em alguns países 9meses com nossa carga horária compra um.
Aqui só leva no mínimo 58 meses.

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Eduardo Teixeira Kull 17 de maio de 2021

Curioso é que quando dólar abaixa, o preço não desce. Que quando o mercado crescia, era “a hora de recuperar as margens”. O preço nunca abaixa; no máximo, sobe menos. Pessoalmente e para começar, qualquer empresa deveria ser obrigada a divulgar seus balanços, pelo menos, virtualmente nos seus sites, nos sites de suas associações, etc., o que foi vetado na última hora, quando da aprovação da nova Lei das S.A.

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Alessandro Estinatti 17 de maio de 2021

Concordo. O dólar é sempre desculpa, a um ano atrás bateu 5,95 e esse mês tá variando na casa de 5,20 5,30, daqui a pouco aparece outro b.o. e o dólar volta a subir aí eles lembram de falar o quanto subiu

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