[Vídeo] Qual será a próxima a fazer as malas e fechar fábrica no Brasil?

Entre as marcas premium que se instalaram aqui, uma cansou de perder dinheiro; mas tem outra igualmente infeliz

Por Boris Feldman 16/02/21 às 09h00
modelo discovery saindo da fabrica da land rover em itatiaia rj
Fábrica da Jaguar Land Rover em Itatiaia (RJ) produz, atualmente, menos de 10 veículos por dia (foto: Jaguar Land Rover | Divulgação)

Em dezembro foi a Mercedes. Em janeiro, a Ford. A próxima deverá ser uma das três outras marcas premium que se instalaram no país com incentivos do Inovar Auto, os mesmos que estimularam a Mercedes a investir na recém-fechada fábrica de Iracemápolis (SP): BMW, Audi ou Jaguar Land Rover.

Assista ao vídeo:

Destas, a que está melhor é a BMW, instalada em Araquari (SC), gerenciando maior volume de vendas, pois tem, além seus próprios modelos, os da Mini-Cooper. E também produz motos em Manaus (AM).

Fábrica da Audi

A Audi está diante de um impasse. Sua fábrica é compartilhada com a Volkswagen (pertencem ao mesmo grupo) em São José dos Pinhais (PR), onde já foi acionista. Hoje aluga uma parte da mesma planta para manter uma linha de montagem com todos os equipamentos operacionais.

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Nesta segunda fase, como locatária, produziu durante alguns anos o A4 Sedã e o SUV Q3, ambos descontinuados no ano passado. Ela pretende voltar a produzir localmente, e o Q3 está na mira.

É por isso que mantém seu espaço (hoje ocioso) na fábrica do Paraná. E poderia voltar a investir pesadamente pois um novo modelo exige ferramentaria, estampagem, engenharia, treinamento, fornecedores e outras adequações. E aumentar o quadro de funcionários.

O impasse? Os alemães da matriz não aprovam novos investimentos até receber os quase R$ 200 mihões que o governo federal deve para a Audi no Brasil.

Fábrica da Jaguar Land Rover

A terceira é a Jaguar Land Rover (inglesa controlada pelo grupo indiano Tata) que investiu numa modesta fábrica em Itatiaia (RJ). Sua situação é a mais delicada, pois também sofreu, assim como as outras três, com a retração do mercado brasileiro de automóveis.

E seus modelos foram também duramente atingidos pela desvalorização da nossa moeda. O tradicional e famoso jipe Defender, por exemplo, relançado em Frankfurt em 2019, deixou seus fãs locais esperançosos, imaginando que iria competir – em preços – com a linha Jeep. Chegou importado – em 2020 – por quase meio milhão de reais!

A fábrica de Itatiaia produzia dois modelos: o Range Rover Evoque, desativado em 2019 e o Discovery Sport até hoje. Mas é rigorosamente inviável uma fábrica – com investimentos de centenas de milhões de reais – se sustentar produzindo menos de dez veículos por dia. Ela chegou a cogitar a fabricação de um sedã Jaguar. Mas só cogitou…

Como paliativo, a JLR decidiu sublocar espaços em sua área industrial. Um deles já abriga um laboratório de emissões. Os ingleses afirmaram para o governo do Rio que pretendem investir e contratar funcionários.

Arrependimento?

A empresa deve estar arrependida pois quando veio para o Brasil recusou uma proposta da PSA (Peugeot-Citroen) para montar seus modelos na fábrica – vizinha – de Resende.

Se a fábrica da JLR é deficitária, por que não faz as malas?  Aparentemente é seu sonho, porém terá que pagar multa pesada ao governo do Rio por quebra de contrato, pois foi contemplada, além dos incentivos federais, também com estaduais para se estabelecer no Estado.

Quando resolver este imbróglio, Bye Bye Brasil…

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11 Comentários
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Fábio 16 de fevereiro de 2021

O problema não são os subsídios,mas sim os impostos absurdos cobrados pelo estado. Lembrando também que não há dinheiro público idealizado por muitos. O governo não produz, arrecada. O dinheiro é da cadeia produtiva e do consumidor pagador de impostos.O estado deveria ter a obrigação de devolver esse capital,seja nos falados subsídios ou em outra forma que fosse

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Fernando 16 de fevereiro de 2021

Perfeito. O Estado funciona como um parasita. Ele só arrecada e entrega pouquíssimo. Se você quer escola boa para o Filho, precisa pagar. Se não quer morrer na fila da saúde, precisa pagar plano de saúde ou então consulta particular. Se quer rodovia boa, paga pedágio. Se quer que seu carro tenha proteção, paga seguro privado. Então, além de pagar imposto de tudo isso, ainda pagamos de novo por conta própria pra ter algo minimamente decente.

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Carlos 16 de fevereiro de 2021

Perfeito comentário amigo!

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Mauro celso 17 de fevereiro de 2021

Falou tudo!

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João Paes Pinto 22 de fevereiro de 2021

O Fernando tem toda razão. O que mata o nosso país é a parasitose e isso acontece nas três esferas. Governo federal, estaduais e municipais. Todos eles sangram o cidadão e entregam muito pouco em contra partida. Sem amores ou rancores pelos políticos de esquerda, direita ou centro afirmo sem sofisma que ao ascenderem ao poder ali se instalam e lutam por sua perpetuação. Só que para isso se tornar possível negociam com Deus e o diabo. O resultado nos já conhecemos. Poucos sugam quase tudo e muitos dividem a miséria que sobra. Moro em uma simples cidade- Praia Grande SPde 300 mil habitantes sem indústrias e de pseudo turismo paupérrimo. Em compensação temos inertes 21 vereadores com assessores ganhando aproximados 25 mil reais mês e uma prefeitura inchada com 12.500 servidores aproximadamente. Está pequena exposição não tem viés político, demonstra apenas a realidade em que nós brasileiros estamos enfiados. O que acontece aqui acontece Brasil afora. Há 14 meses atrás estive no Japão e constatei que os carrões e os populares de até 800 cilindradas convivem muito bem. É, acordei. Não estamos no Japão. Tríplice e Fraternal Abraço a todos de bons costumes.

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Marco Lima 16 de fevereiro de 2021

Não subsiste sem os incentivos. Os modelos oferecidos são fora da realidade brasileira, é não são competitivos no mercado externo. Deveria ter sido melhor avaliado pelo governo se deveria oferecer tais incentivos. Agora, “Inês é morta”…

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Menes Silva 16 de fevereiro de 2021

up

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Homero Teixeira de Carvalho 16 de fevereiro de 2021

Tudo se resume a dinheiro público, também conhecido como “incentivo”, Ora, está mais do que na hora de incentivo para o trem-bala Rio-SP-BH! Trens rápidos Campinas-Sorocaba- Jundiaí-SP! Tudo para meus netos, bisnetos… Quando o inominável, e família , que conduz o Brasil para o abismo, estará morto!!

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Fábio Vieira 16 de fevereiro de 2021

A questão não é exatamente a mamata acabar e com isso, a empresa ter que se equacionar ao mercado. já há algum tempo em que o País tem a maior carga tributária do mundo, deixando nossos veículos acima do valor de outros … e não é acima do EUA, Japão ou Europa. São carros mais caros que em outros países da América Latina, Índia, Malásia, Leste Europeu, Daí a FORD fechou no Brasil e continua no Uruguai e Argentina, além de um baita projeto na África do Sul. Uma indústria automotiva gera empregos na fábrica, nas concessionárias, e outros indiretos. É a parte social tb.

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Gustavo 16 de fevereiro de 2021

Demorou pra ir tbm . Nunca vi na vida , empresa aumentar tanto o preço de seus produtos(coisa de 50% pra cima)num ano , como as empresas automobilísticas.

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Samarone 16 de fevereiro de 2021

O Inovar Auto, ao contrario do que se pensa atrasou a evolução dos automóveis no Brasil, deveriam ter aberto o mercado, que sobreviva o mais eficiente.

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