Sedans médios em extinção: veja quais modelos já sumiram e quais correm riscos

Segmento, que já foi um dos mais importantes do mercado brasileiro, perdeu vários integrantes nos últimos anos e deve encolher ainda mais

silhueta de carro sedan lateral
Mercado tem cada vez menos opções de sedans médios (Foto: Shutterstock)
Por Alexandre Carneiro
06 de fevereiro de 2022 08:17

Quem acompanha o mercado de automóveis já sabe muito bem: os SUVs são, atualmente, os queridinhos dos consumidores. Esses veículos não param de ganhar espaço no ranking brasileiro de vendas e, consequentemente, prevalecem nos calendários de lançamentos dos fabricantes. O domínio é tamanho que os modelos desse gênero extinguiram os segmentos de peruas e monovolumes. E já fizeram muito estrago também entre os sedans médios.

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Ao longo dos últimos quatro anos, nada menos do que seis sedans médios saíram definitivamente da linha brasileira dos respectivos fabricantes. Nenhum deles deixou sucessor direto: a faixa de mercado acabou sendo ocupada por algum SUV. Para piorar, pelo menos outros dois modelos estão seriamente ameaçados de extinção no país e devem ter o mesmo destino.

Sedans já extintos

AutoPapo listou todos os sedans médios extintos ao longo dos últimos anos. Devido à ausência deles, esse segmento, que tinha mais de uma dúzia de competidores na década passada, agora conta com pouquíssimas opções.

1. Mitsubishi Lancer

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Mitsubishi Lancer saiu de linha no mundo inteiro

A trajetória do Lancer no Brasil é longa: começou na década de 1990, após a abertura do mercado às importações. Porém, só em 2014 o modelo passou a ser produzido no país, mais precisamente na fábrica do Grupo HPE em Catalão (GO). Apenas 5 anos mais tarde, em 2019, ele saiu de linha. A extinção ocorreu em em nível global, pois a Mitsubishi abandonou o segmento de sedans médios.

2. Ford Focus Fastback

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Dirigibilidade sempre foi destaque da linha Focus

Outro modelo que tem longa história no Brasil é o Focus. Entre 2000 e 2019, a gama teve três gerações, todas importadas da Argentina: até 2015, ele se chamava Sedan, mas naquele ano mudou de nome para Fastback. A Ford até desenvolveu uma quarta safra para a linha, mas só a comercializa na Europa e em alguns poucos países em outros continentes.

3. Hyundai Elantra

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Hyundai disputou categoria de sedans médios com o Elantra

Ao contrário dos demais sedans médios do listão, o Elantra nunca teve fabricação nacional ou em algum país latinoamericano: sempre veio da Coreia do Sul. Ele também chegou ao Brasil na década de 1990, mas deixou de ser importado em 2019; no ano seguinte, saiu definitivamente do site da Hyundai. A marca ainda produz o modelo, que inclusive ganhou nova geração recentemente, mas abandonou o segmento por aqui.

4. Renault Fluence

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Fluence foi a última aposta da Renault no segmento

Após oferecer o modelo 19 e duas gerações do Mégane no mercado brasileiro, a Renault deu uma cartada final no segmento de sedans médios com o Fluence, em 2011. O sedan teve até a interessante versão esportiva GT, mas nunca deslanchou em vendas. Os últimos lotes chegaram ao país em 2018 e, no ano seguinte, ele saiu do portfólio da marca francesa, que seguiu os passos da concorrência e passou a investir em SUVs.

5. Citroën C4 Lounge

frente do citroen c4 lounge 2015 branco
Citroën C4 Lounge deixou o mercado em 2020

Quando foi lançado, em 2013, para substituir o C4 Pallas, o Lounge até alcançou volume razoável de vendas. Porém, a participação no mercado foi caindo, até que a Citroën suspendeu as importações da Argentina em 2020. No ano seguinte, a saída do modelo do mercado foi oficializada. Agora, a marca francesa investe para ampliar a gama, mas não tem planos de lançar sedans.

6. Peugeot 408

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Vendas do Peugeot 408 nunca decolaram

Tanto o 408 quanto o hatch 308 saíram do mercado em 2019. Desde então, a gama do fabricante não conta mais com nenhum produto desse gênero, e não há sinais de que isso vá mudar no futuro. A despedida do modelo colocou fim a uma dinastia de sedans da Peugeot, que chegou ao Brasil com a linha 306, nos anos de 1990.

Sedans seriamente ameaçados de extinção

Dos poucos sedans médios que ainda restam no mercado brasileiro, pelo menos dois estão seriamente ameaçados de extinção. Por enquanto, eles seguem à venda, mas o futuro de ambos é desanimador.

7. Chevrolet Cruze

cruze midnight azul dianteira parado
Cruze não terá nova geração em parte alguma do planeta

Desde 2011, o Cruze ocupa o posto de sedan médio da Chevrolet no Brasil, sendo que a linha conta ainda com o hatch Sport6. Porém, a segunda e atual geração, que estreou em 2016, será a última: o fabricante já anunciou que ela não terá sucessora. A Argentina, inclusive, é o único país que ainda produz essa gama. Pode até ser que o modelo ainda dure alguns anos, mas, depois disso, o fim será inevitável.

8. Volkswagen Jetta

jetta gli 34 frente
Atualmente, versão esportiva GLI é a única da linha Jetta

O desempenho comercial da atual geração do Jetta, que data de 2018, foi fraco. Tanto que, apenas dois anos depois do lançamento, a gama perdeu as três versões equipadas com motor 1.4 TSI: restou unicamente o esportivo GLI. No ano passado, o modelo passou por uma reestilização no México, de onde é importado para o Brasil, mas a Volkswagen ainda não lançou essa novidade por aqui: será que ele sobreviverá a 2022?

Sedans que devem ressurgir

Para não dizer que tudo está perdido, pelo menos dois sedans médios que saíram de linha recentemente devem voltar ao Brasil em 2022. Entretanto, eles chegarão via importação e em pequenas quantidades, para ocupar nichos nas gamas dos respectivos fabricantes.

9. Nissan Sentra

novo nissan sentra sl azul frente
Nissan confirmou o retorno do Sentra ao país, já em nova geração

A Nissan já confirmou o retorno do Sentra ao Brasil, após um hiato que começou há quase um ano. Ele chegará totalmente reprojetado e com propulsão híbrida, mas atuará no topo do segmento, com preços elevados: consequentemente terá vendas limitadas. Assim como ocorreu com as três últimas safras do modelo, a nova geração virá do México.

10. Honda Civic

novo honda civic 2022 sport vermelho de frente
Novo Civic virá, mas apenas via importação

No ano passado, a Honda encerrou a produção do Civic no Brasil, porém confirmou que vai importar a nova geração, que ainda é recente em nível global. O modelo terá motorização híbrida, mas a gama será enxuta: por tais motivos, terá preços mais elevados e participação pequena no mercado. Vale lembrar que o sedan foi o primeiro produto nacional da marca japonesa, em 1997. Ao todo, cinco linhagens foram fabricadas aqui.

O AutoPapo testou a versão top de linha Touring da última geração do Honda Civic: assista ao vídeo!

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24 Comentários
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Benedito Santiago 11 de fevereiro de 2022

Preciso de ajuda, minha mulher está com fobia de avenidas largas e trânsito intenso,temos um EcoSport novo e ela acha baixo, com a gasolina nas alturas qual modelo mais alto tem menor custo?

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ecferrari@hotmail.com 11 de fevereiro de 2022

Tenta um kwid

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Sir.Alves 11 de fevereiro de 2022

Amigo. depende do quanto podes gastar, um Up!Cross bem conservadinho atenderia bem, eu recomendaria qualquer bom semi novo 1.3 ou 1.4 até tres anos de uso, sem se ater muito a quilometragem, mas peça um laudo de avaliação do usado. Mas se gostas mesmo de altinhos de cidade… e não ligas para espaço de portas malas e prezas unicamente pela economia de combustível,… o mais indicado seria o GM tracker 1.0T, mas encontrá-lo usado por um preço não abusivo, é uma odisseia.

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Valdemar 12 de fevereiro de 2022

FUJA DESSES LIXOS “SEMI NOVOS” VÁ DE VOLKSWAGEN TCROSS

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Marco 10 de fevereiro de 2022

Gosto de carro pequeno, ar, direção e vidros elétricos, econômico, para os dias de hoje está ótimo.

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Sir.Alves 11 de fevereiro de 2022

Um compacto 1.nada nos engarrafas da cidade tudo bem, mas na necessidade de viajar com a família…. aí não tem jeito, só um bom sedan médio, por que estes compactos altinhos não tem como levar quase bagagem nenhuma, fora o terrível aperto no banco de traz.

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Mayk 9 de fevereiro de 2022

Os extintos, são carros que nunca fizeram sucesso no país. Sempre venderam pouco. Quero ver abalar o Corolla.

AutoPapo
Alexandre Carneiro 9 de fevereiro de 2022

Olá, Mayk.
É verdade que o Corolla vende bem: é o único da categoria que ainda tem desempenho comercial significativo. Mas ele vem, sim, perdendo mercado. Até 2020, o Corolla figurava sempre entre os 10 carros mais vendidos do Brasil. Desde então, os números do modelo estão decrescendo e, no mês passado, ele ficou apenas na 17ª posição desse ranking. Além do mais, o sedan da Toyota tem sido constantemente ultrapassado, em emplacamentos, pela configuração Cross: e olha que o SUV é cerca de R$ 15 mil mais caro em todas as versões e, ao contrário do sedan, não tem suspensão traseira independente.
Saiba mais em: https://autopapo.uol.com.br/noticia/carros-mais-vendidos-janeiro-2021/
Abraço!

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Sir.Alves 9 de fevereiro de 2022

Honda Civic nunca fez sucesso? Certeza? VW Jetta? Nem vou continuar… a Toyota sabe disso e já colocou o nome Corola em outra carro, prevendo o fim do modelo…

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Robson 8 de fevereiro de 2022

Cruze ainda vive , ainda mais agora com as novas versões

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Sir.Alves 9 de fevereiro de 2022

Pois é, É um carro pra quem tem ou ainda tem bom gosto automotivo.

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Eleide 8 de fevereiro de 2022

Não somos obrigados a andar de suv, crv,etc….o brasileiro mal.pode ter um carro quanto mais carros caros. E os sedans são ótimos e mais acessíveis. Isso é modismo e um pouco de desprezo pelo consumidor menos abastado.

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Sir.Alves 8 de fevereiro de 2022

Quem puder levar um cruze no lugar de um tracker, não vai se arrepender, faça esse excelente negocio. O tracker além de não ter bom espaço para ocupantes atrás e nem portal malas, não tem o acabamento de cruze, basta ir numa concessionária e constatar. Agora eu particularmente, se tivesse de comprar um belo sedan médio, esperaria um pouquinho esse lançamento do novo Nissan Sentra, pois está um arrazo. Alias, o novo Nissan versa já mostrou um pouco do que virá no irmão maior.

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Polvo 8 de fevereiro de 2022

Por isso vou ficar com o meu bom e velho Civic por muitos anos.

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Carlos Almo 7 de fevereiro de 2022

Os caras metendo o malho no Arrizo e, talvez, doidos por um coreano ou japonês.
Xenofobia? Magina né?

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Santiago 7 de fevereiro de 2022

Inimaginável há tempos atrás. O fim de muitas eras acontecendo de uma só vez. Uma cacetada na longa e rica história do automóvel.
Carros de verdade saindo de linha. E deixando espaço para “suvs” canastroes que, além de terem todos a mesma aparência, são o maior engodo que as montadoras já nos empurraram.

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Ney Verdandi 7 de fevereiro de 2022

O problema não são as fabricantes, mas sim os consumidores, que preferem na maioria das vezes, abrirem de um legítimo sedã, e comprarem um simples carro compacto “altinho” , sem a mesma estabilidade, aerodinâmica, consumo e motores 3 cilindros para reduzirem custo de produção, apenas para andarem. na moda.

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RuyJr 7 de fevereiro de 2022

É isso !
Tão somente !
Mais um resultado da “mulherificação” … e, como elas gostam de mentiroso e de ouvir mentiras, os marqueteiros “deitam e rolam” !

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Jose Santana Anastacio 9 de fevereiro de 2022

Boa,na mosca.

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alecs 7 de fevereiro de 2022

Um sedan sempre será mais elegante que um SUV,e mesmo se esses carros fossem 4 por 4 ,ainda assim ,tem pouca vantagem tê-los…

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Silvio 7 de fevereiro de 2022

É estranho falar em preços elevados.Todos os são, desde o desnudo Kwid. O Cotolla sedã reina absoluto. O belíssimo Sentra quiçá híbrido é promessa desde os sumérios. Civic fora do jogo. Cruze em prolongado e adiavel adeus. O belo, porém chinês Caoa Arrizo ainda não convenceu. E viva os SUVs de shopping!

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Rodrigo 6 de fevereiro de 2022

Não entendi… 2 comentários idênticos com nomes diferentes????????

#SavetheHatchesMedios
#SavetheSedansMedios
#SavetheWagons
#ChegaDePseudo-SUV

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Paulo Santos 6 de fevereiro de 2022

É estranho falar em preços elevados.Todos os são, desde o desnudo Kwid. O Cotolla sedã reina absoluto. O belíssimo Sentra quiçá híbrido é promessa desde os sumérios. Civic fora do jogo. Cruze em prolongado e adiavel adeus. O belo, porém chinês Caoa Arrizo ainda não convenceu. E viva os SUVs de shopping!

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José Carlos da Silva 6 de fevereiro de 2022

É estranho falar em preços elevados.Todos os são, desde o desnudo Kwid. O Cotolla sedã reina absoluto. O belíssimo Sentra quiçá híbrido é promessa desde os sumérios. Civic fora do jogo. Cruze em prolongado e adiavel adeus. O belo, porém chinês Caoa Arrizo ainda não convenceu. E viva os SUVs de shopping!

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