Venda de carros usados: vale o ano de fabricação ou o ano-modelo?

Consultamos a Fipe, a KBB e a Fenauto, que responderam em unanimidade: as tabelas com valores de veículos levam em consideração o ano-modelo

Por Alexandre Carneiro 23/06/20 às 15h35
venda de carros usados
Carros do mesmo ano-modelo, independentemente da data de fabricação, são igualmente valorizados (Valter Campanato | Agência Brasil)

Muitos proprietários dos chamados veículos de “duas cabeças” (produzidos em determinado ano, mas já como modelo da linha seguinte) já vivenciaram essa cena: na hora de trocá-lo, receberam uma avaliação baseada no ano de fabricação, e não no ano-modelo. Mas isso realmente está certo? Afinal, qual é o critério para definir o preço de venda desses carros usados?

O AutoPapo consultou a Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), a KBB (Kelley Blue Book) e a Fenauto (Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores), que responderam de maneira unânime: o que determina o valor de venda de motos, caminhões e carros usados é o ano-modelo. Desse modo, um automóvel 2015/2016 é tão valorizado quanto um similar 2016/2016, por exemplo.

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Quem acessa o site da Fipe já percebe que o ano de fabricação não tem valor mandatório. Isso porque, nos campos de pesquisa sobre preços médios de veículos, consta para consulta apenas o ano-modelo, além da marca e do nome do bem; sequer há menção ao ano de fabricação. A reportagem entrou em contato com a entidade, que confirmou: “os preços da Fipe são em função do ano-modelo”.

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No site da Fipe, campo de busca para pesquisa de preços de veículos considera apenas o ano-modelo; sequer há menção ao ano de fabricação (Foto Fipe | reprodução)

A KBB, que faz pesquisas de mercado mais detalhadas sobre os preços de carros usados à venda, levando em consideração, entre outros itens, a presença de equipamentos opcionais, também não faz distinção entre bens do mesmo ano-modelo, independentemente da data de fabricação. Em resposta à reportagem, a entidade esclareceu que utiliza como critério o ano-modelo.

De acordo com Ilídio dos Santos, presidente da Fenauto, durante o processo de venda, a avaliação dos carros usados deve seguir exatamente as diretrizes citadas. “A negociação do veículo é pelo ano-modelo, e não pelo ano de fabricação; o certo é isso”, afirma.

Por que o valor de venda de carros usados baseia-se no ano-modelo?

Santos elucida que esse critério é justo porque, quando os fabricantes lançam a gama de produtos do ano seguinte, quase sempre fazem aperfeiçoamentos, como oferta de novos equipamentos ou mudanças no design. Justamente por isso, tais veículos costumam trazer reajustes de preços quando são vendidos zero-quilômetro.

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Carros do mesmo ano-modelo, independentemente da data de fabricação, são igualmente valorizados (foto de Valter Campanato | Agência Brasil)

Vale destacar que as tabelas de preços divulgadas pela Fipe e pela KBB são baseadas nos valores praticados no mercado. Os números são obtidos por meio de pesquisas em todo o país. A Fenauto, por meio de assessoria, explica que, além do ano-modelo, as avaliações para determinar o preço de venda levam em conta ainda a quilometragem e o estado de conservação dos carros usados.

Perfis e necessidades dos consumidores em diferentes locais também podem interferir no valor de venda dos carros usados. Determinada marca pode ter maior aceitação em algumas regiões que em outras, por exemplo. Isso é consequência do tamanho do mercado brasileiro: segundo a Fenauto, existem cerca de 48 mil CNPJs ativos na classificação  de lojas multimarcas de veículos em todo o país.

De qualquer modo, independentemente dessas variáveis, a avaliação para venda de carros usados deve considerar sempre o ano-modelo. “Quem avalia com base no ano de fabricação está agindo de modo errado”, ratifica o presidente da Fenauto. Santos explica que o ano de fabricação serve apenas para balizar o valor do IPVA.

6 Comentários
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    Isaias Santos de oliveira 25 de junho de 2020

    Tenho um Gol G5 11/12 – com km 99500- completo – é um carro de venda rápida.

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    Amarildo rossi papa 25 de junho de 2020

    Bom dia, permita-me discordar dessa avaliação que é muito errada!!! A Ford cometeu a maior gafe do mundo quando lançou em janeiro de 2008 o Ford KA modelo 2009, pela nossa legislação esdruxula isso é permitido. Quando compro carro levo em consideração não somente o ano modelo, mas também o tempo que foi comprado e a quilometragem do veículo. Eu particularmente não compro carro de 2 cabeças se for possível. Essa legislação deveria ser mudada imediatamente, vale o ano de fabricação e pronto, nada de ficar enganando os incautos.

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    Gilberto C Oliveira 24 de junho de 2020

    Sem desmerecer a pesquisa, mas para quem troca de veículos desde 1970, afirmo que na prática a teoria é outra. Para vender meu veículo vale o ano de fabricação e para comprar outro usado vale o ano-modelo. Normas existem, mas é para inglês ver, nesse país cheio de “espertos”.
    Agora também consultam BO de acidentes. Mesmo que tenha sido um simples esbarrão com algum ciclista ou pedestre, sem nenhum problema físico, nem danos materiais, o motorista faz o BO, evitando algum problema mais tarde. É a deixa para revendedores avaliarem o carro “lá embaixo”, sob alegação que o futuro comprador poderá ter problemas na justiça. Prática comum em revendedores de fábrica, como se a venda mais barata isentasse o antigo dono. Desonestidade absoluta. Estava tirando um carro zero Km. Optei em mudar de marca , onde me ofereceram o valor justo. Perdeu a fábrica…

    • AutoPapo
      Alexandre Carneiro 25 de junho de 2020

      Olá, Gilberto.
      Caro, a prática de avaliar veículo pelo ano de fabricação, e não pelo ano-modelo, é realmente comum. Quem faz isso visa simplesmente ter maior lucro, com o objetivo de revender o carro, claro, pelo valor referente ao ano-modelo. A ideia da matéria é justamente alertar o consumidor sobre esse tipo de “esperteza”: com informações e argumentos sólidos, é possível fazer uma negociação mais justa. Ou ainda ter consciência para procurar outra opção, como você fez.
      Abraço e obrigado por comentar.

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    Sérgio Meira 23 de junho de 2020

    Parabéns pela reportagem, sempre as avaliações são pelo ano de fabricação, agora já sei…..

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    Sergio Cides 23 de junho de 2020

    Quando V. compra em agência, você tem que pagar pelo “ano-modelo”. Quando vende te pagam pelo “ano-fabricação”… é mais um jeito que o comércio inventou para ludibriar o cliente.

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