Volkswagen Voyage: 40 anos do sedan derivado do Gol

Conheça a primeira parte da trajetória do modelo, desde o lançamento, em 1981, até as atualizações realizadas em 1988

volkswagen voyage duas portas de frente
Voyage foi o primeiro veículo baseado no Gol (foto: Volkswagen | Divulgação )
Por Douglas Mendonça
15 de dezembro de 2021 17:32

Transcorria o ano de 1981, há exatas quatro décadas, e a caminhada do Gol nessa época não era tão promissora quanto a Volkswagen esperava: a expectativa era a de que o lançamento do popular com motor 1.3 a ar massacrasse o crescente sucesso do Fiat 147 (também 1.3), mas o mercado não reagiu tão positivamente. Contudo, a cavalaria de reforço estava chegando com os novos integrantes da família. Em julho de 1981, veio o Voyage.

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Apesar de ser o sedan do Gol, o Voyage tinha personalidade própria. Nos elementos frontais (faróis, grade e parachoques) e a partir da coluna B (final das portas dianteiras), ele era um carro totalmente inédito: mudavam janelas, laterais, lanternas, tampa do porta-malas, queda do vidro traseiro e mais.

Um detalhe não pode ser esquecido: Gol e Voyage usavam exatamente a mesma plataforma e compartilhavam sistemas de suspensões, direção e freios. Claro, a distância entre-eixos era a mesma nos dois carros, o que os deixava com espaço interno bem semelhante, em que pese os 27 cm a mais no comprimento da carroceria do sedan (ditados unicamente pelo terceiro volume da carroceria).

A maior qualidade do Voyage era a presença de um generoso porta-malas de 460 litros (contra 280 do Gol), que sugeria, no próprio nome do modelo, espaço suficiente para viagens com a família. Assim como o irmão hatch, o sedan era oferecido inicialmente só na configuração de duas portas e em duas versões, a S (Special ou Super, oficialmente nunca esclarecido) e LS (Luxo Super ou Luxe Special, também não declarado pela marca).

Mecânica herdada do Passat

E as vantagens sobre o Gol não paravam por aí, se estendendo também para a mecânica: em vez do raquítico e pobre motor 1.3 refrigerado a ar, com 50 cv, o Voyage já nascia com um pomposo 1.5 arrefecido a água e com câmbio manual de 4 marchas, herdados do Passat, em um conjunto que rendia 65 cv (15 cv a mais que o 1.3).

Mas além da maior potência, que se refletia na velocidade máxima, o que importava mesmo eram os 2 kgfm a mais no torque, que permitiam ao Voyage arrancadas mais vigorosas e ultrapassagens mais seguras nas estradas, ou seja, mais segurança em viagens. Outro detalhe construtivo estava no eixo traseiro de torção, que no Voyage era estampado em aço com perfil em “V”, enquanto no Gol era em formato de “T”.

Voyage fez sucesso

Mesmo custando bem mais caro que o Golzinho, o Voyage pode ser considerado um sucesso de vendas desde o início. O fracasso dos superados motores a ar do Gol praticamente empurravam o consumidor à mecânica mais moderna e atraente do sedan, que até então mostrava-se um carro mais versátil, inclusive pelo bagageiro de maior volume.

O 1.5 a água, já em 1983, dava lugar ao mais moderno 1.6 batizado de MD-270 (ou Torque), que desenvolvia até 81 cv na versão a álcool, com um pronunciado torque máximo de 12,8 mkgf que, graças, ao bom acerto já surgia desde baixíssimos regimes de rotação. Na prática, isso significava boas arrancadas e retomadas de velocidade bem vivas, como pedia o consumidor brasileiro da época.

Em relação ao motor anterior, o novo 1.6 Torque possuía carburador de corpo duplo e coletores de escape de dupla saída, além do modernismo da ignição eletrônica para a época, que dispensava o uso do platinado. Derivado diretamente do antigo 1.5, possuía em seu interior pistões maiores e virabrequim de curso mais longo, além de um sistema de arrefecimento mais eficiente por causa do ganho de potência (mais de 15 cv).

Graças a essas profundas alterações e à oferta opcional de um câmbio 3+E (três marchas que garantiam a performance e uma quarta bem longa para melhor economia de combustível e diminuição do ruído de funcionamento), o Voyage se tornava um carro bem amadurecido após dois anos de lançamento, permitindo ao sedan da VW permanecer por 40 anos no mercado nacional.

Voyage quatro portas

Ainda em 1983, o Voyage já era exportado para vários países da América Latina, que, ao contrário do Brasil, gostavam e simpatizavam com sedans de quatro portas. Por isso a Volkswagen preparou o Voyage com esse tipo de carroceria, destinado principalmente à exportação. No mercado nacional, o modelo realmente não obteve sucesso e saiu de cena já em 1986 (situação bem diferente dos demais mercados em que ele estava presente).

volkswagen voyage 4 portas 1983 de frente

No ano seguinte, 1984, a família Gol se unia no visual: o hatch e a picape herdavam o DNA do Voyage, e todos passavam a ter a mesma cara, independentemente da versão e mecânica.

Motor AP

Com a rápida evolução e com as soluções assertivas feitas pela Volkswagen no Voyage, o conceito do sedan subia junto ao consumidor brasileiro, e em agosto de 1985 chegou o mítico motor AP (Alta Performance). Diretamente derivado do MD-270, os AP-600 e AP-800, ou 1.6 e 1.8, tinham como grande inovação a mudança na relação curso e diâmetro dos pistões, além de bielas mais longas, que reduziam os atritos internos da máquina.

Além disso, novos perfis para eixo comando de válvulas e taxas de compressão aumentadas melhoraram muito a performance dessa nova família de motores. Essas unidades motrizes até hoje são lembradas pelo consumidor brasileiro como uma das melhores produzidas no país, unindo potência, torque e baixo consumo de combustível, além da boa durabilidade, todos quesitos importantes para o proprietário.

No Voyage, a maioria das versões de acabamento usava o AP 1.6, que rendia 80 cv e 12,4 mkgf de torque na variante a gasolina ou 90 cv e 12,9 mkgf na variante a álcool. Chegava, para ficar no topo de linha, a versão Super, com o AP 1.8 mais manso, semelhante ao utilizado no Santana, com 86 cv na variante a gasolina e 94 cv na variante a álcool (menos potente que o do Gol GT), embora repleto de itens de série e diferenciais.

Voyage 1987

Seguindo uma tendência de modernização do sedan popular, a Volkswagen mexia no visual do Voyage para 1987: assim como o restante da linha, ele perdia aquele par de faróis grandes, até grosseiros, que não combinavam muito com a frente do carro, e o modelo recebeu um conjunto bem mais harmônico e envolvente na dianteira.

Os faróis ficavam mais afilados e delicados, e os para-choques passavam a ser de plástico envolvente, assim como a grade. O capô também passava a ser mais arredondado e leve, em uma boa união entre visual atraente e moderno. Como em uma cirurgia plástica, o Voyage remoçou com essa nova frente, complementada com lanternas traseiras inéditas.

O interior, por sua vez, ainda era o mesmo, e isso só seria corrigido no ano seguinte, com a chegada do painel com comandos satélite. A gama de versões da linha 1987 também era outra: CL (Comfort Luxe) na base, GL (Grand Luxe) como intermediária e GLS (Grand Luxe Sport) no topo de linha, substituindo a Super.

O motor 1.8 AP agora estava disponível no Voyage na configuração mais brava, a mesma do Gol GTS (evolução do GT), com 96 cv com gasolina ou 99 cv a álcool, além de vários adereços vindos do hatch esportivo (bancos Recaro, rodas de liga-leve exclusivas, acabamento diferenciado e por aí vai).

Na próxima parte, acompanhe a continuação da trajetória do Voyage, com destaque para seu sucesso no exterior e até a resposta para uma dúvida que muitos têm: por que não existiu o Voyage do Gol G2, o “bolinha”? Não perca!

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3 Comentários
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Polvo 21 de dezembro de 2021

Aproveitando, peça ao Boris para colocar umas fotos do Voyage dele!

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Polvo 21 de dezembro de 2021

Meu pai teve 2 Voyage, um LS 82 1.5 e um LS 85 1.6, sendo esse último muito superior em mecânica. Era um carro muito bom para época, tinha um bom custo x benefício. Agora, na minha opinião, o Voyage GLS de 1987 a 1990 é o mais bonito da era quadrada. Essa frente como vc mesmo disse é mais harmoniosa com o conjunto do carro. Parabéns pela matéria!

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strady varius 15 de dezembro de 2021

Tive um 85 a álcool, que acredito ter mais potência do que o anunciado pela fábrica.
O carrinho era tão bom, que o apelidei de “Príncipe da Estrada”. Não falhava nunca e cansei de fazer curvas acelerando e freando ao mesmo tempo. O danado ia de lado e às vezes até tremia todo, mas era moleza ganhar de carros bem maiores. Eles até o superavam nas retas, mas quando as curvas surgiam, era um tal de bye bye que dava dó.
O carrinho era bem original, apenas sem as calotas que tirei por preferir sem elas e um volante esportivo bem pequeno que era muito legal.

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