Consumo reduz depois que o motor ‘amacia’ (e outros mitos)

Não é só na internet que se divulgam falsas dicas e recomendações: existem também muitas outras informações que circulam há tempos e que não procedem

Por Boris Feldman 25/04/20 às 09h00

Não é só na internet que se divulgam falsas dicas e recomendações. Existem também muitas outras informações que circulam há tempos e que não procedem. Algumas exatamente por estarem circulando há tempos e terem se tornado obsoletas pelas novas tecnologias aplicadas aos automóveis.

Dedo no para-brisa

Em estradas com tráfego intenso de caminhões, é comum os automóveis terem o para-brisa trincado por pedras arremetidas por veículos à frente. Dica (que não procede): colocar o dedo no centro do para-brisa, criando resistência ao impacto da pedra.

Consumo

Dono de carro novinho vai reclamar o consumo exagerado de combustível na oficina da concessionária, a explicação (falsa) é sempre a mesma: seu motor ainda não “amaciou”. E explicam, do alto de sua sabedoria (…), que, depois de uns 2.000 ou 3.000 km o consumo se reduz, pois as peças internas já se ajustaram Pode até ser que, de 7, o carro passe a rodar uns 7,5 km/l. E olhe lá… Mas jamais os 9 ou 10 anunciados pela fábrica.

Desempenho

É falsa a ideia de que dois carros com motores de mesma potência tenham desempenho semelhante. Influem também, e muito, o peso, o câmbio, a aerodinâmica, o torque e outros fatores. Alias, um carro com menor potência pode até oferecer melhor desempenho.

Máxima

A grande maioria dos motoristas pensa que a velocidade máxima do automóvel é obtida pisando fundo no acelerador com a marcha mais alta engatada. Ledo engano: as últimas ou a última delas é projetada para redução de consumo, para deixar o motor em baixas rotações. Ou seja, não é marcha para conferir força, apenas velocidade.

Num carro de cinco marchas, a máxima velocidade é obtida, geralmente, com a quarta engatada. Claro que se está referindo a uma estrada plana. Numa descida, onde não se exige potência, a última marcha pode levar o carro a velocidades mais elevadas.

“Banguela”

Outro engano frequente é deixar o câmbio em ponto morto numa longa descida, a chamada “banguela”. Ao contrário do que se imagina, não há redução de consumo: com a marcha engatada, as rodas acionam o motor e não é necessário combustível para mantê-lo em movimento. Em ponto morto, há um pequeno consumo para a central manter seu funcionamento.

Automatizado

Criou-se no Brasil uma péssima reputação do câmbio automatizado por culpa de alguns deles que atormentaram donos dos carros, concessionários e fábricas.

Quase todos dotados de apenas um disco de embreagem (Dualogic, I-Motion, Easytronic, Easy’R) e que já desapareceram do mercado pois a passagem de marchas se fazia literalmente aos trancos e barrancos. E com inúmeros problemas de operação.

Mas existe também um câmbio automatizado com dupla embreagem que é quase um estado-da-arte e várias marcas o adotam. Entretanto, um deles, o Power Shift da Ford (que também já sumiu…) tinha um erro de projeto e foi tão amaldiçoado quanto os de embreagem única.

Fim de linha

Há dois enganos no mercado a respeito de modelos em fim de linha. O primeiro é de que imediatamente se desvaloriza, assim que sua morte é anunciada. Nem sempre é verdade: alguns chegaram a ter suas últimas unidades disputadas nas concessionárias.

O segundo é quanto à obrigação legal de se manter peças de reposição até oito anos depois que deixa de ser fabricado ou importado. Não existe esta legislação.

Falo mais sobre esse assunto. Confira o vídeo!

Esquentar

A recomendação de se “esquentar” o motor de manhã deixou de existir há muitos anos, desde que o carburador foi substituído pela injeção eletrônica.

Acelerar

Nem ao ligar, nem ao desligar. É prática prejudicial nos dois casos. Se o motorista dá uma acelerada e desliga o motor, injeta-se combustível que não é queimado, pois a ignição foi cortada. Esse combustível escorre pelas paredes do cilindro e vai contaminar o óleo lubrificante no cárter.

Também de manhã, ao se ligar o motor, nada de pisar no acelerador: deve-se deixá-lo funcionando uns 30 segundos em marcha-lenta até que o óleo do cárter chegue às suas partes superiores para lubrificá-las. O maior desgaste sofrido pelo motor é exatamente ao ser acionado depois de algumas horas desligado.

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SOBRE
19 Comentários
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    Adriano 26 de abril de 2020

    #Maxima quem foi o estagiario que disse que a maxina nao eh obtida em ultima marcha??? Temos casos com cambio longo nao, agora os modelos com cambio curto sim! Tenho 2 exemplos na garagem: Palio Sporting a 4 corta giros a 160 e com a 5 passo de 200.. Celta 1.0, cambio muito curto 4 corta a 120 e com a 5 da para chegar a 160.. Entao nao facam uma teportagem so se baseando em midelos com cambio longo!!!

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      Breno 28 de abril de 2020

      Os testes dos motores são aferidos em ambiente controlado. Potência, torque e velocidade máxima sempre registrados na penúltima marcha. Pra passar dessa velocidade só em descida aí sim se usa a última marcha. Se seu Palio está chegando a 200 você corre sérios riscos de estourar os pneus ou mesmo o motor.

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    Roberto Carlos 26 de abril de 2020

    Eu sempre ando com pé na tábua

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    Ira 26 de abril de 2020

    Bom dia. Quanto a afirmação de que não existe legislação a respeito da produção de peças após o veículo sair de linha, não é verdade. O Parágrafo Único do art. 32 do Código de Defesa do Consumidor nos diz que mesmo que cessada a produção ou a importação do produto, o fabricante ou importador deverão fornecer as peças de reposição por um período razoável de tempo.­ De fato, o CDC não cuidou da definição do que seria um “período razoável de tempo”, mas para isso utilizamos a definição contida no art 13, XXI do Decreto-Lei n. 2.181/97, o qual dispõe que o período razoável nunca pode ser inferior ao tempo de vida útil do produto ou serviço. Com isso podemos dizer que a obrigação da montadora ou importador variará, a depender do caso em concreto, em mais (podendo ser mais de oito anos, inclusive) ou menos tempo de fornecimento de peças.

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      Fernando B 26 de abril de 2020

      Tem Belina ano 1982 rodando por aí, portanto, baseado no decreto 2181/97 o dono pode exigir peças na concessionária. Custava colocar na lei um número já definido? Por exemplo, 5 anos? Isso dá imbróglio jurídico numa disputa

    • AutoPapo
      Boris Feldman 27 de abril de 2020

      Ninguém consegue explicar o que vem a ser “período razoável de tempo”. O Deccreto Lei citado é de uma ignorância a toda prova. Quero ver se a Ford tem peças de reposição para meu modelo “T” de 1927. É um produto que continua em “vida útil” pois milhares deles rodam até hoje…

      Falo mais sobre esse assunto neste link: https://autopapo.uol.com.br/noticia/carros-sairam-de-linha-pecas-de-reposicao/

      Abraço

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    MARCELO NUNES 26 de abril de 2020

    Como engenheiro automobilístico digo que NÃO É MITO o consumo melhorar após o amaciamento e que é necessário um breve aquecimento do motor antes de sair, e quem diz o contrário precisa aprender muito…

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      Israel Miguel Da silva 26 de abril de 2020

      A questão da ” banguela” é verdade que ela não economiza mais combustível do que quanto o carro desce engrenado?

    • AutoPapo
      Boris Feldman 27 de abril de 2020

      Alguém faltou a essa aula na escola de engenharia. E não fui eu…

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    nildo 26 de abril de 2020

    bom dia meus amigos, gostaria de saber se é normal quando pisa fundo no acelerador o carro soltar um pouco de fumaça o veículo é um vectra gls98 obs não baixa óleo.

    • AutoPapo
      Boris Feldman 27 de abril de 2020

      Se solta fumaça, tem que estar queimando óleo. A menos que seja provocada pela queima de água, pior ainda!

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        Carlos M 27 de abril de 2020

        Pode ser excesso também, tem de analisar a cor e o cheiro da fumaça, ficar supondo é PICARETAGEM

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      Carlos m 28 de abril de 2020

      Se for uma fumaça preta e que dissipa rápido provavelmente é excesso de combustível. Sem ver e sentir o cheiro da fumaça é PICARETAGEM falar que está queimando óleo

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    Araujo 26 de abril de 2020

    Pelo visto o maior dos mitos ainda prevalece,ora,afirmar que o motor à combustão interna funciona sem combustível na descida é de lascar,claro que consome pouco,mas é evidente que ainda não inventaram motor movido à ar!

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      Elko 26 de abril de 2020

      Sim, a alimentação é cortada, pois o motor não está “funcionando”, mas apenas impelido pelo giro das rodas levado a ele pela transmissão.

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    Antonio Costa Lopes 26 de abril de 2020

    Deixar o carro funcionar por alguns minutos antes de saí pela manhã é super importante.. esperar a lubrificação e a temperatura ideal

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      Fernando B 26 de abril de 2020

      Especialmente se estiver com etanol no tanque. Leva uns 5 minutos para o carro atingir a temperatura pra deixar o carro solto.

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    Marcos 25 de abril de 2020

    E a roda livre???

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      Carlos m 25 de abril de 2020

      Roda livre do DKV? Se sim ajuda pois é carburado, carros injetados entram em cutoff quando tira-se o pé em certas condições

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